Entidades judaicas brasileiras condenam brutalidade em Bondi Beach e alertam para escalada global do antissemitismo após o incidente que deixou dezenas de feridos.
Um ataque antissemita brutal transformou uma celebração de Hanukkah na icônica praia de Bondi Beach, em Sydney, Austrália, no último domingo, 14 de dezembro, em um cenário de tragédia. O incidente resultou na morte de 15 participantes e de um dos agressores, totalizando 16 vítimas fatais, além de deixar dezenas de feridos que foram prontamente encaminhados a hospitais locais. A comunidade judaica brasileira, por meio da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), emitiu notas de veemente repúdio ao ato de violência.
O atentado ocorreu durante o “Chanukah by the Sea”, evento que marcava o acendimento da primeira vela do Festival das Luzes, uma das mais importantes festividades judaicas. Segundo relatos da polícia local, um dos atiradores foi morto no local, enquanto um segundo agressor encontra-se em estado crítico. As autoridades investigam a possível participação de um terceiro indivíduo. Entre os 29 feridos levados ao hospital, dois são policiais. O comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, confirmou as informações enquanto as investigações prosseguem e a segurança em locais ligados à comunidade judaica na Austrália é reforçada.
As entidades representativas da comunidade judaica no Brasil expressaram profunda consternação e solidariedade à comunidade australiana. Em seu comunicado, a CONIB lamentou que “o que deveria ser um momento de celebração da vida, da fé e da luz foi brutalmente interrompido pelo ódio”, destacando que famílias foram atingidas e uma comunidade inteira marcada pela violência em um período sagrado.
Ambas as federações conectaram o ataque de Sydney a um alarmante recrudescimento do antissemitismo global. A CONIB ressaltou que, desde os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023, houve uma “explosão” de manifestações antissemitas em diversas partes do mundo, com a vilificação de Israel frequentemente resultando em ataques letais contra judeus, como observado na Austrália, nos Estados Unidos e na Europa. A Fisesp, por sua vez, lembrou um ataque similar ocorrido em 7 de outubro de 2023, durante a celebração de Simchat Torá, sublinhando que a repetição de tais atos em diferentes continentes evidencia uma escalada preocupante do ódio.
As entidades brasileiras classificaram o ataque a judeus em celebrações religiosas como uma tentativa de incutir medo e cercear o direito de existência e expressão de uma identidade milenar. A Fisesp afirmou que é “o ódio operando de forma aberta, mirando famílias, jovens e crianças que estavam reunidos apenas para celebrar sua fé e sua história”. Em um apelo às autoridades e à sociedade internacional, ambas as instituições enfatizaram que a tolerância ao discurso de ódio tem consequências reais e violentas, e que o silêncio e a relativização do antissemitismo podem custar vidas, reforçando a urgência de reconhecimento e enfrentamento dessa ameaça sem concessões.
Fonte: https://guiame.com.br