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Coreia do Norte: Cristãos mantêm fé sob regime extremo

jornalismo

Na Coreia do Norte, cristãos vivem sua fé em segredo, praticando uma forma de resistência espiritual oculta contra a exigência estatal de devoção exclusiva à família governante Kim. O país, que lidera há mais de duas décadas a Lista Mundial da Perseguição de cristãos, impõe rituais de lealdade que colocam os fiéis em um doloroso dilema entre a conformidade externa e a adoração a Deus.

A ideologia Juche, pilar do regime norte-coreano, demanda lealdade absoluta ao Estado e seus líderes, Kim Il-sung e Kim Jong-il, e atualmente Kim Jong-un. Cada cidadão é compelido a manifestar publicamente devoção à dinastia Kim. Desde a infância, os norte-coreanos são ensinados a reverenciar os retratos dos líderes, presentes em residências, escolas e ambientes de trabalho, participando de uma rotina diária repleta de rituais de lealdade, como a recitação de lemas governamentais e a deposição de flores em monumentos oficiais. A recusa em participar dessas cerimônias não é interpretada como objeção de consciência, mas sim como um ato de traição contra o Estado, passível de punições severas, incluindo prisão e campos de trabalho forçado.

Para os seguidores de Jesus, esses rituais representam um conflito profundo com o Primeiro Mandamento, que os exorta a adorar somente a Deus. Conforme Simon (pseudônimo), porta-voz da Portas Abertas — uma organização internacional que monitora a perseguição religiosa — e coordenador do trabalho com cristãos norte-coreanos, a escolha é desoladora: “Por um lado, eles sabem que não devem se curvar diante de ídolos. Por outro, se recusarem publicamente, todos os cristãos serão presos. Não haveria mais igreja.” Assim, a fé é vivida não através de uma oposição visível, mas por uma lealdade oculta a Cristo. Cada reverência, cada canto compulsório, transforma-se em um momento de oração silenciosa, onde o fiel reafirma internamente: “Senhor, tu és o meu único Deus.”

Essa estratégia de insubordinação silenciosa encontra respaldo em interpretações teológicas. Simon explica que os cristãos norte-coreanos buscam orientação divina e relembram a história de Naamã, o comandante sírio que, ao se converter ao Deus de Israel (2 Reis 5), foi instruído pelo profeta Eliseu a “ir em paz” mesmo quando precisava acompanhar o rei e curvar-se em um templo idólatra. A compreensão é que Deus conhece a intenção do coração, e a conformidade externa não implica adoração a um ídolo.

Nesse cenário de extrema vigilância, os cristãos norte-coreanos navegam diariamente em um fio tênue. Eles suportam as cerimônias com a cabeça curvada, mas sua verdadeira adoração ascende aos céus. Sua lealdade a Cristo é testada constantemente, e sua coragem reside na fé praticada em absoluto sigilo. A Portas Abertas tem consistentemente classificado a Coreia do Norte como o país mais perigoso para cristãos em sua Lista Mundial da Perseguição há mais de duas décadas, sublinhando a gravidade da repressão religiosa. Apesar dos esforços do governo para erradicar a presença cristã, o evangelho persiste e é propagado, inclusive por meio de programas de rádio clandestinos que chegam ao território norte-coreano.

Fonte: https://exibirgospel.com.br

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