PUBLICIDADE

Coreia do Norte Impõe Culto à Família Governante

Na Coreia do Norte, a família regente é vista como divindade e exige adoração. (Foto: Portas ...

Relatório da Portas Abertas revela que cristãos enfrentam dilema de fé e segurança, praticando a adoração em segredo sob rigorosa vigilância estatal.

A Coreia do Norte exige de seus cidadãos uma demonstração pública e contínua de lealdade e devoção à família governante Kim, em um culto à personalidade que se estende por todas as esferas da vida. Contudo, um recente relatório da missão internacional Portas Abertas indica que, apesar da repressão severa, cristãos norte-coreanos desafiam as leis, praticando sua fé em segredo e encontrando maneiras sutis de manter sua adoração a Deus, mesmo sob coação.

Desde a primeira infância, os norte-coreanos são doutrinados a reverenciar os retratos de Kim Il-sung e Kim Jong-il, figuras onipresentes em residências, instituições de ensino e locais de trabalho. Essa rotina é complementada por rituais de fidelidade ao regime, que incluem a recitação de códigos de conduta, a deposição de flores em monumentos e a participação compulsória em cerimônias oficiais do Estado. A recusa em aderir a essas práticas acarreta severas punições, que podem variar de prisão a campos de reeducação ou até mesmo à pena de morte, especialmente para aqueles considerados “inimigos do Estado” por razões religiosas, em um regime que baseia sua legitimidade na ideologia Juche e na divinização de seus líderes.

Para os seguidores do cristianismo, esta imposição cria um profundo conflito ético e espiritual. A doutrina cristã centraliza a adoração exclusivamente em Deus, tornando qualquer reverência a figuras humanas um ato de idolatria. No entanto, a obediência aparente às demandas do governo comunista, onde a ideologia oficial substitui a religião, muitas vezes se torna a única alternativa para garantir a sobrevivência e a segurança de suas famílias. A Portas Abertas descreve que, durante esses rituais de reverência forçada, muitos cristãos oram silenciosamente, afirmando sua fé em Deus.

Simon, um coordenador da Portas Abertas que trabalha com cristãos norte-coreanos (o asterisco indica nome alterado para segurança), relatou o dilema enfrentado: “Eles sabem que não devem se curvar diante de ídolos, mas se recusarem publicamente, todos os cristãos serão presos. Não haveria mais igreja.” Segundo ele, esses fiéis buscam inspiração bíblica para sua situação, como a história de Naamã no Livro de 2 Reis, que recebeu permissão do profeta Eliseu para acompanhar seu rei em atos de adoração a deuses estrangeiros, sem que isso significasse uma traição à sua própria fé. Essa interpretação oferece um caminho para conciliar a fé interior com a conformidade externa exigida pelo regime.

A Coreia do Norte é consistentemente classificada como o país de maior perseguição aos cristãos no mundo pela Lista Mundial da Perseguição da Portas Abertas, uma posição que ocupa há mais de duas décadas. O regime norte-coreano vê qualquer forma de religião organizada, especialmente o cristianismo, como uma ameaça direta ao seu controle totalitário e à divinização da família Kim, resultando em políticas estatais de erradicação da fé. Organizações de direitos humanos e a ONU frequentemente denunciam as violações sistêmicas dos direitos humanos no país, incluindo a liberdade de religião e crença.

Assim, os seguidores de Jesus na Coreia do Norte vivem em uma “corda bamba” diária, onde a lealdade a Cristo é testada constantemente. Eles participam de cerimônias com a cabeça curvada, mas sua verdadeira adoração, conforme o relato, ascende aos Céus, mantendo viva uma fé que sobrevive oculta à vista de todos, em um dos ambientes mais hostis à religião no planeta.

Fonte: https://guiame.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE