Detalhes do Ataque e Vítimas no Kordofan do Sul
Um ataque aéreo perpetrado por um drone das Forças Armadas Sudanesas (SAF) resultou na morte de, no mínimo, 11 cristãos e deixou outras 18 pessoas gravemente feridas. O incidente ocorreu na manhã de 25 de dezembro, no estado de Kordofan do Sul, quando as vítimas participavam de uma procissão natalina em direção à Igreja Episcopal do Sudão, localizada na área de Julud (Biyam Jald).
Fontes locais, incluindo um advogado cristão da região que optou por não ser identificado, confirmaram que o ataque não atingiu o edifício da igreja, mas sim o grupo de fiéis que seguia em procissão. O Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-Norte), que exerce controle sobre a área e está aliado às Forças de Apoio Rápido (RSF) contra as SAF, divulgou dados ligeiramente divergentes através do Sudan Tribune, reportando 12 civis mortos e 19 feridos. O SPLM-Norte enfatizou que a aeronave não tripulada visou deliberadamente civis que celebravam o Natal.
Este incidente soma-se a uma série de ataques similares na região de Kordofan do Sul. Em 29 de novembro, um drone das Forças Armadas Sudanesas (SAF) atingiu um centro médico em Kumi, resultando na morte de 12 pessoas e ferimentos em 19, entre elas crianças e mulheres. Poucos dias depois, em 5 de dezembro, um jardim de infância em Ghadeer, Kalogi, foi alvo de outro ataque aéreo, causando a morte de mais de 10 crianças com idades entre 5 e 7 anos, conforme informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Esses eventos recentes sublinham um padrão de uso de drones contra alvos civis no estado.
Contexto da Guerra Civil e Escalada da Violência
O Sudão mergulhou em um cenário de intensa instabilidade e violência generalizada desde abril de 2023, quando um confronto direto eclodiu entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). Essas duas facções, que anteriormente compartilhavam o poder em um governo militar estabelecido após um golpe de Estado em outubro de 2021, transformaram a nação em um campo de batalha, com consequências devastadoras para a população civil. A escalada do conflito não apenas desestabilizou a estrutura política, mas também desencadeou uma crise humanitária de proporções alarmantes, marcada por ataques indiscriminados e um crescente número de vítimas inocentes.
A guerra civil sudanesa resultou em um custo humano insuportável, com dezenas de milhares de mortos e um deslocamento massivo que já supera 12 milhões de pessoas, tanto internamente quanto para países vizinhos, conforme dados de organizações humanitárias. A violência indiscriminada se manifesta em diversos ataques a civis e infraestruturas essenciais, como evidenciado por investidas anteriores que atingiram um centro médico na área de Kumi e um jardim de infância em Ghadeer, resultando em múltiplas mortes, incluindo mulheres e crianças. Esses incidentes sublinham a brutalidade do conflito e a crescente ameaça a espaços civis.
No meio deste caos, as comunidades cristãs têm sido particularmente vulneráveis. Relatos indicam um aumento significativo na perseguição, com incidentes de mortes, agressões sexuais e ataques a residências e estabelecimentos comerciais cristãos, de acordo com o relatório Lista Mundial da Perseguição de 2025 da Portas Abertas. O documento destaca que cristãos de diversas origens estão aprisionados no conflito, sem meios de fuga, enquanto igrejas são bombardeadas, saqueadas e ocupadas pelas facções em guerra. Ambas as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), caracterizadas por algumas análises como tendo perfis islamistas, têm sido acusadas de atacar cristãos deslocados sob a alegação de que estariam apoiando a força oposta, exacerbando o medo e a vulnerabilidade dessa minoria religiosa em um país onde muçulmanos representam aproximadamente 93% da população.
Histórico de Ataques a Civis e Infraestruturas Essenciais
A escalada do conflito no Sudão desde abril de 2023 tem sido marcada por uma série preocupante de ataques que visam civis e infraestruturas essenciais, exacerbando a crise humanitária no país. O recente incidente envolvendo uma procissão natalina insere-se num padrão de violência indiscriminada que tem gerado dezenas de milhares de mortos e deslocado mais de 12 milhões de pessoas, tanto internamente quanto para além das fronteiras sudanesas, conforme dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.
Antes do trágico ataque à procissão de Natal, o estado do Kordofan do Sul já havia sido palco de incidentes brutais. Em 29 de novembro, um centro médico na área de Kumi foi atingido por um ataque de drone atribuído às Forças Armadas Sudanesas (SAF), resultando na morte de doze pessoas e ferindo outras dezenove, incluindo mulheres e crianças, evidenciando o desrespeito pela proteção de instalações de saúde e dos mais vulneráveis.
Ainda mais chocante foi o ataque com drone de 5 de dezembro, que atingiu uma localidade em Ghadeer, Kalogi, no Kordofan do Sul. Este incidente resultou na morte de mais de dez crianças, com idades entre 5 e 7 anos, dentro de um jardim de infância, conforme relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Tais eventos sublinham a gravidade da violência e o impacto direto nas populações civis.
Organizações internacionais, como a Portas Abertas, em seu relatório "Lista Mundial da Perseguição de 2025", têm documentado um aumento alarmante de cristãos mortos, agredidos sexualmente e de ataques a suas residências e negócios. Igrejas também não foram poupadas, sendo bombardeadas, saqueadas e ocupadas pelos grupos em conflito. A situação reflete um cenário onde a população cristã, que representa uma minoria de 2,3% num país predominantemente muçulmano, se encontra particularmente vulnerável e presa no caos da guerra civil.
Tanto as Forças de Apoio Rápido (RSF) quanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF), apesar de suas divergências, têm sido acusadas de ataques contra civis deslocados, frequentemente sob a alegação de que estes apoiam a facção adversária. Este histórico de violência direcionada, sem distinção clara entre combatentes e não-combatentes, estabelece um preocupante precedente e contextualiza o recente ataque que vitimou cristãos em sua celebração natalina, destacando a necessidade urgente de proteção civil e responsabilização pelas violações.
Aumento da Perseguição e Vulnerabilidade das Minorias Religiosas
A escalada do conflito armado no Sudão, deflagrado em abril de 2023, tem provocado um agravamento dramático na perseguição e na vulnerabilidade das minorias religiosas, particularmente a comunidade cristã, que já enfrentava desafios históricos. Relatórios recentes apontam para um aumento alarmante no número de mortes, agressões sexuais e ataques direcionados a propriedades e locais de culto de cristãos, intensificando um cenário de profunda insegurança.
A organização Portas Abertas, em sua Lista Mundial da Perseguição de 2025, descreve uma situação caótica onde "cristãos de todas as origens estão presos, sem poder fugir", com igrejas sendo bombardeadas, saqueadas e até ocupadas pelos grupos em conflito. Tanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) quanto as Forças de Apoio Rápido (RSF), as principais facções em disputa pelo poder, são descritas como forças de orientação islamista. Ambas têm sido acusadas de atacar cristãos deslocados, sob a alegação de que estes estariam apoiando um dos lados beligerantes, o que coloca a minoria religiosa em uma posição de alvo duplo.
Esse contexto é ainda mais crítico dada a composição demográfica do Sudão, onde os cristãos representam uma parcela reduzida da população, cerca de 2,3%, segundo dados do Projeto Joshua, em contraste com a maioria muçulmana (93%) e adeptos de religiões étnicas tradicionais (4,3%). A fragilidade numérica e a falta de proteção efetiva deixam essa comunidade à mercê da violência generalizada que já resultou na morte de dezenas de milhares de civis e no deslocamento forçado de mais de 12 milhões de pessoas, exacerbando a crise humanitária e a vulnerabilidade das minorias.
Crise Política e Origem do Conflito Armado
A eclosão do conflito generalizado no Sudão, iniciado em abril de 2023 entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), representa o ponto culminante de uma transição política conturbada e uma disputa por poder profundamente enraizada. Este confronto mergulhou o país numa grave crise humanitária e de segurança, com repercussões significativas para a população civil, incluindo comunidades minoritárias como os cristãos.
A gênese da atual instabilidade remonta ao golpe de Estado de outubro de 2021, quando as próprias SAF e RSF, então aliadas, depuseram o governo de transição civil-militar que havia assumido após a queda do ditador Omar al-Bashir em 2019. O golpe, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan (líder das SAF) e pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti (líder das RSF), interrompeu abruptamente o caminho do Sudão em direção à democracia e estabeleceu um conselho militar soberano.
Apesar da aliança inicial que derrubou o governo civil, a partilha de poder entre as SAF e as RSF era intrinsecamente frágil e permeada por tensões. As RSF, uma milícia poderosa que evoluiu de grupos Janjaweed envolvidos no conflito de Darfur, operavam em grande parte fora da cadeia de comando das Forças Armadas regulares. A questão central para a integração das RSF nas SAF, uma condição crucial para uma eventual transição para o governo civil, tornou-se um ponto de discórdia irreconciliável.
As negociações para a formação de um novo governo civil e a reforma do setor de segurança foram repetidamente frustradas pelas divergências entre os dois generais. Havia desacordos fundamentais sobre o cronograma para a integração da RSF no exército regular, quem controlaria quais recursos militares e o comando geral das forças unificadas. Cada lado buscava consolidar sua influência e garantir um papel dominante no futuro político e de segurança do Sudão.
A incapacidade de resolver essas disputas levou ao colapso das negociações e à escalada militar em abril de 2023, transformando a rivalidade latente em um conflito armado de larga escala. As consequências têm sido devastadoras, com dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados internos e refugiados, e uma nação à beira do colapso, onde civis, como os cristãos atacados em procissão de Natal, pagam o preço mais alto pela falha política e pela luta pelo poder.
Retrocesso na Liberdade Religiosa Pós-Golpe de 2021
O golpe de Estado de outubro de 2021 no Sudão marcou um ponto de inflexão crítico, desmantelando o governo civil de transição e pavimentando o caminho para uma escalada de instabilidade que tem corroído as liberdades religiosas no país. A derrubada do poder civil e a subsequente consolidação do regime militar, inicialmente compartilhado pelas Forças Armadas Sudanesas (SAF) e Forças de Apoio Rápido (RSF), criaram um vácuo de poder e um ambiente de impunidade, onde grupos minoritários, em particular os cristãos, viram sua segurança e direitos fundamentais drasticamente comprometidos.
A deterioração do quadro político, culminando na guerra civil deflagrada em abril de 2023 entre as duas facções militares antes aliadas, intensificou exponencialmente a perseguição religiosa. Relatórios recentes, como a Lista Mundial da Perseguição de 2025 da Portas Abertas, apontam para um aumento alarmante no número de cristãos mortos, agredidos sexualmente e alvos de ataques a suas residências e comércios. Este cenário reflete uma clara regressão dos avanços, ainda que limitados, observados durante o breve período de transição civil, quando houve acenos para uma maior tolerância religiosa.
É crucial notar que tanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) quanto as Forças de Apoio Rápido (RSF) são descritas como forças com inclinações islamistas. Esta característica tem sido utilizada para justificar ataques contra cristãos deslocados, frequentemente sob a alegação de que estariam apoiando a facção adversária. Tal estratagema não apenas explora a vulnerabilidade das minorias religiosas – que representam cerca de 2,3% da população predominantemente muçulmana (93%) – mas também instiga a hostilidade sectária, transformando o conflito em uma frente de perseguição direcionada.
As consequências para as comunidades cristãs têm sido devastadoras. Igrejas foram bombardeadas, saqueadas e ocupadas pelos grupos em conflito, forçando fiéis a fugir e impedindo a prática livre da fé. A ausência de um governo civil forte e a polarização militar criaram um ambiente onde a liberdade de crença e culto, outrora garantida por acordos transitórios, foi substituída por um regime de medo e violência, representando um severo retrocesso nos direitos humanos e na coexistência pacífica no Sudão.