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Sudão na Lista de Perseguição Religiosa
O Sudão se mantém consistentemente entre os países onde a perseguição religiosa contra cristãos é mais severa, uma realidade reiterada pela Lista Mundial de Perseguição (LMP) de 2025. Anualmente elaborada pela organização internacional Portas Abertas (Open Doors), a edição mais recente do relatório classifica a nação africana na quinta posição global entre as cinquenta mais hostis à prática da fé cristã.
A Lista Mundial de Perseguição é um levantamento criterioso que analisa a intensidade da perseguição em cinco esferas da vida — privada, familiar, comunitária, nacional e eclesiástica — e o nível de violência. A alta classificação do Sudão reflete uma confluência de fatores complexos, incluindo a instabilidade política crônica, a aplicação de leis baseadas na Sharia em diversas regiões e a proliferação de grupos extremistas islâmicos.
A já frágil situação dos cristãos sudaneses foi exponencialmente agravada pelo conflito civil deflagrado em abril de 2023. Essa crise humanitária sem precedentes não apenas desestabilizou o país, mas também intensificou a vulnerabilidade das comunidades minoritárias religiosas. Historicamente, após a secessão do Sudão do Sul, de maioria cristã, em 2011, os cristãos que permaneceram no Sudão têm enfrentado uma crescente marginalização e perseguição por parte de elementos estatais e facções radicais, que frequentemente buscam consolidar uma identidade puramente islâmica para o país.
As manifestações da perseguição no Sudão são diversas e brutais, variando desde ataques diretos e destruição de locais de culto, como os relatados no contexto atual, até a discriminação sistemática no acesso a serviços básicos, educação e oportunidades de emprego. As prisões arbitrárias e a pressão forçada para conversão também são táticas comuns. O vácuo de poder e a anarquia gerados pela guerra civil criaram um ambiente propício para a impunidade desses atos, expondo as comunidades cristãs a riscos extremos e ameaças à sua própria existência.