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Perseguição Religiosa: Quase 2 Mil Cristãos Mortos Globalmente em Dois Anos

Crucifixo no chão com sangue (Foto: Reprodução/Flickr)

Um levantamento recente da Global Christian Relief (GCR), organização não governamental baseada nos Estados Unidos focada na observação da perseguição global contra cristãos, revelou um cenário alarmante de recrudescimento da violência: aproximadamente 2.000 cristãos foram assassinados e cerca de 3.000 sofreram sequestros ou agressões confirmadas em todo o mundo nos últimos dois anos. As descobertas, compiladas em sua 'Lista Vermelha de 2026', destacam a África como o epicentro dessa violência e abrangem o período de 1º de novembro de 2023 a 31 de outubro de 2025.

Aumento da Violência Letal e Países Mais Afetados

O relatório detalha que 1.972 mortes de cristãos foram verificadas como diretamente relacionadas à violência religiosa neste período. A metodologia do GCR baseia-se em dados do Banco de Dados de Incidentes Violentos, uma plataforma mantida pelo Instituto Internacional para a Liberdade Religiosa (IIRF) que compila violações da liberdade religiosa ao redor do globo.

A África subsahariana emerge como o epicentro da violência sistêmica contra cristãos, com três dos cinco países mais perigosos localizados no continente. Grupos afiliados ao Estado Islâmico, uma organização jihadista transnacional, são apontados como um dos principais vetores dessa violência. O relatório sublinha que, embora as motivações variem, a presença desses grupos, a fragilidade da proteção estatal e a impunidade dos agressores são fatores comuns.

A Nigéria se destacou como o país mais letal, com 590 assassinatos documentados, embora o próprio relatório admita que a subnotificação seja uma realidade devido à inacessibilidade de muitas regiões e à dificuldade de verificação independente. O Reverendo Yakubu Muton, pastor nigeriano, compartilhou um testemunho pungente, descrevendo a noite em que nove pessoas foram brutalmente assassinadas em sua casa paroquial por militantes fulanis, refletindo a brutalidade dos ataques.

Investigadores de campo da Global Christian Relief na Nigéria constataram um padrão de ataques coordenados e recorrentes contra comunidades cristãs, com alvos explícitos em pastores, igrejas e residências. Essa observação sugere uma perseguição contínua e sistemática, indo além de meros atos criminosos isolados. Após a Nigéria, a República Democrática do Congo registrou 447 mortes e a Etiópia, 177. A Rússia, que também enfrenta a atuação de células ligadas ao Estado Islâmico, reportou 167 óbitos, seguida por Moçambique, com 94 assassinatos, onde a insurgência do Estado Islâmico local forçou o deslocamento de 13.298 cristãos, o maior número registrado.

Perseguição Não Letal e Violações da Liberdade Religiosa

Além da violência letal, o relatório da GCR documentou uma escalada na perseguição não letal, que se manifesta em diversas formas de intimidação e restrição. Ruanda liderou em incidentes de violência e intimidação contra igrejas, com 7.700 ocorrências. Nestes casos, o governo frequentemente proíbe o culto coletivo através do fechamento de igrejas, justificado por 'questões de infraestrutura', o que os investigadores consideram um pretexto para o controle religioso. Moçambique, Myanmar, Nicarágua e Ucrânia (devido ao conflito) também foram listados por incidentes similares.

A China foi identificada como o país com o maior número de prisões de cristãos, totalizando 709 casos confirmados. O Partido Comunista Chinês intensifica a vigilância e o controle estatal sobre as práticas religiosas, exigindo registro e alinhamento com a ideologia do Estado. Rússia, Irã, Vietnã e Nicarágua também registraram altos números de detenções de fiéis por sua fé. No que tange a sequestros e agressões (excluindo os casos letais e de intimidação a igrejas), o México liderou com 376 incidentes verificados.

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