PUBLICIDADE

Yuval Harari Alerta em Davos: IA Superará Religião e Sistemas de Fé

O professor e historiador Yuval Noah Harari em Davos, na Suíça, em 2026. (Foto: YouTube/ Fórum...

O renomado historiador Yuval Noah Harari lançou um alerta contundente durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça: a Inteligência Artificial (IA) não deve ser encarada apenas como uma ferramenta, mas como um agente autônomo, capaz de dominar sistemas construídos sobre a linguagem, especialmente religiões como o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo. Segundo o pesquisador da Universidade de Cambridge, essa capacidade da IA pode desencadear uma profunda crise de identidade para a humanidade nos próximos anos.

IA: Agente Autônomo, Não Meramente Ferramenta

Harari, conhecido por suas análises sobre o futuro da humanidade em obras como 'Sapiens', enfatizou que a distinção entre ferramenta e agente é crucial. Diferentemente de uma faca, que o ser humano decide como usar, a IA, em seu estágio avançado, é dotada da capacidade de aprender, transformar-se e tomar decisões por conta própria. Ele exemplificou: "A IA é uma faca que pode decidir sozinha se vai cortar uma salada ou cometer um assassinato", sublinhando a autonomia decisória da tecnologia.

O historiador, que também leciona na Universidade Hebraica de Jerusalém e é cofundador da organização Sapienship, argumentou que a essência do pensamento humano, que é a ordenação de palavras e símbolos, já pode ser superada pela IA. "Antes, todas as palavras e pensamentos verbais vinham da mente de algum ser humano. Em breve, a maioria das palavras que estarão em nossas mentes terá origem em máquinas", projetou Harari durante uma sessão intitulada 'Uma conversa honesta sobre IA e humanidade'.

O Desafio da IA para Religiões Baseadas em Textos Sagrados

A tese mais provocativa de Harari reside no potencial da IA de se tornar a autoridade máxima em religiões textuais. Se leis, livros e sistemas de fé são construídos a partir de palavras, a capacidade da IA de processar, memorizar e gerar conteúdo verbal em escala e complexidade inigualáveis a posicionaria como um "especialista" inquestionável. Ele destacou o Judaísmo como um exemplo, onde a autoridade deriva do domínio dos textos sagrados. Diante de uma IA que pode assimilar e compreender todo o corpus textual judaico, a questão se impõe: "O que acontece com uma religião do livro quando o maior especialista no texto sagrado é uma inteligência artificial?"

Para Harari, a IA não só pensa e cria, mas também pode mentir e manipular, habilidades que amplificam seu potencial de influência sobre sistemas complexos de crenças e normas humanas. A perspectiva de uma entidade não-humana com tal poder intelectual e persuasivo levanta preocupações existenciais sobre a validade e a natureza da fé e da lei humanas.

Impacto Cultural e Nova Crise Migratória

O historiador traçou um paralelo com as discussões sobre migração humana, sugerindo que o mundo se prepara para uma nova forma de "crise migratória" impulsionada pela IA. Desta vez, os "imigrantes" seriam milhões de IAs, sem necessidade de vistos ou fronteiras físicas, capazes de "escrever poemas de amor melhor do que nós, mentir melhor do que nós e viajar à velocidade da luz".

Embora essas IAs possam trazer benefícios significativos em áreas como saúde e educação, elas também podem gerar receios similares aos da migração humana, como a perda de empregos, a alteração de culturas e a lealdade política. A diferença fundamental é que o volume, a velocidade e a autonomia desses "agentes" digitais representam um desafio sem precedentes para a identidade e a organização social humana, moldando profundamente a cultura global.

Leia mais

PUBLICIDADE