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ASPS Desaconselha Cirurgias de Redesignação Sexual para Menores

Sala de cirurgia (Foto: Piron Guillaume en Unsplash)

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) emitiu uma nova diretriz de grande relevância, orientando o adiamento de cirurgias de redesignação sexual para indivíduos com idade inferior a 19 anos. A medida, que estabelece uma idade mínima para tais intervenções, reflete crescentes preocupações éticas dentro da comunidade médica, bem como a constatação de potenciais danos irreversíveis e a carência de dados robustos sobre os resultados a longo prazo para a saúde mental e o bem-estar dos pacientes.

Com uma representação que ultrapassa 11.000 médicos membros em escala global, a ASPS consolida-se como a primeira organização médica de projeção a adotar uma posição formal contrária à realização de procedimentos cirúrgicos de transição de gênero em menores de idade. Esta decisão instrui os profissionais a postergarem intervenções nos seios, genitais e face até que o paciente alcance a maioridade estipulada pela Sociedade, sublinhando a seriedade das questões envolvidas.

Fundamentos da Nova Diretriz

Os motivos que embasam a revisão da postura da ASPS incluem a análise de publicações recentes que apontam para uma 'baixíssima ou baixa certeza' quanto aos benefícios observados na saúde mental de pacientes submetidos a essas cirurgias. Adicionalmente, a Sociedade destaca 'preocupações emergentes sobre possíveis danos a longo prazo e a natureza irreversível das intervenções cirúrgicas', juntamente com a 'insuficiência de evidências que demonstrem uma relação risco-benefício favorável' para a população pediátrica e adolescente.

Evolução da Posição Institucional

Historicamente, a ASPS manteve uma postura que, em certa medida, se alinhava a outras entidades médicas tradicionais no apoio a cirurgias de transição de gênero para jovens. No entanto, há aproximadamente dois anos, a organização começou a reavaliar sua posição, comunicando aos seus membros que não havia endossado diretrizes de prática clínica ou recomendações de terceiros para o tratamento de crianças ou adolescentes com disforia de gênero, reconhecendo um cenário de incerteza clínica e científica.

A evolução na compreensão da ASPS foi significativamente impulsionada por 'novas revisões abrangentes das evidências', conforme detalhado pela própria entidade. Dentre estas, destacam-se a 'Revisão Cass', conduzida no Reino Unido, e a revisão de 2025 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) do governo americano. A 'Revisão Cass', em particular, representou uma análise independente e crítica das bases de evidências clínicas que sustentam a intervenção médica em jovens com disforia de gênero, culminando em mudanças substanciais nas diretrizes do Serviço Nacional de Saúde (NHS) britânico.

Desafios Diagnósticos e Lacunas Evidenciais

As revisões supramencionadas contribuíram para uma 'compreensão mais clara dos potenciais danos', ao mesmo tempo que expuseram as 'limitações das evidências disponíveis'. A ASPS enfatiza lacunas significativas na documentação dos resultados físicos, psicológicos e psicossociais a longo prazo. Um ponto crucial levantado pela Sociedade é que 'as evidências disponíveis sugerem que uma proporção considerável de crianças com disforia de gênero de início pré-puberal experimenta uma resolução ou redução significativa de seu sofrimento na idade adulta, sem a necessidade de intervenção médica ou cirúrgica'.

Adicionalmente, os profissionais médicos – mesmo aqueles com vasta experiência – atualmente não possuem métodos confiáveis para diferenciar quais indivíduos terão seu desconforto de gênero resolvido espontaneamente e quais experimentarão uma persistência duradoura. A declaração da ASPS adquire, portanto, um peso considerável, dado que seus membros são os cirurgiões que, em última instância, realizam os procedimentos de transição de gênero, caracterizados por sua natureza invasiva, permanente e com potenciais riscos importantes.

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