Cuba enfrenta uma grave intensificação de sua crise socioeconômica, caracterizada por severas interrupções no fornecimento de energia elétrica e pela crescente escassez de alimentos e combustíveis. A conjuntura tem gerado uma onda de protestos populares em diversas localidades, com comunidades cristãs relatando um acesso diário à eletricidade limitado a apenas duas horas em certas regiões, conforme informações da Missão Portas Abertas Brasil.
As manifestações nas ruas de Cuba já se estendem por mais de três semanas. Recentemente, em Havana, moradores organizaram um 'panelaço', um protesto ruidoso comum na América Latina, para expressar indignação contra os constantes apagões que deixaram cerca de 10 milhões de cubanos sem energia. Um pastor local, identificado como Gregorio pela Portas Abertas, descreveu a persistência do barulho das panelas, sinalizando a insatisfação popular. Fora da capital, a situação é ainda mais crítica, com o veículo Infobae reportando que 60% do país pode sofrer cortes de energia com duração entre 22 e 24 horas.
Impacto na Economia e na Vida Cotidiana
Aprofundando as dificuldades, a crise econômica tem comprometido severamente as necessidades básicas da população. O país lida com uma acentuada carência de combustíveis, onde um único litro de gasolina pode custar o equivalente a dois salários mínimos. Além disso, os preços dos alimentos disparam; relatos de Luis, outro pastor que auxilia comunidades vulneráveis, indicam que ovos já foram vendidos por um valor superior ao de um salário mensal. A escassez de combustível afeta diretamente a produção e o transporte de alimentos, resultando em prateleiras vazias e famílias enfrentando a fome. Gregorio descreveu a situação comovente de crianças que deixam de ir à escola devido à debilidade causada pela subnutrição.
As consequências da crise energética se estendem para além da falta de luz. Aproximadamente 80% do sistema de abastecimento de água de Cuba depende da eletricidade, impactando até mesmo hospitais. A ausência de água e medicamentos, conforme Luis, leva a um cenário de extrema dificuldade, com vidas em risco. Uma integrante da equipe da Portas Abertas no país, Laura, destacou que a real extensão dos danos só será totalmente compreendida quando o fornecimento de energia for restabelecido.
O Papel das Comunidades Religiosas na Crise
As interrupções no fornecimento de energia elétrica também comprometem a segurança das igrejas, tornando-as alvos mais fáceis para ladrões, segundo o pastor Luis. Consequentemente, muitas congregações foram obrigadas a suspender os cultos noturnos e organizar vigias. Apesar dos recursos limitados e do cansaço, as igrejas têm se mobilizado para oferecer ajuda humanitária, como a preparação de refeições para os necessitados, evidenciando seu papel social em tempos de adversidade.
Contexto da Perseguição Religiosa
Em Cuba, onde cerca de 85% da população se identifica como cristã, predominantemente católica com 11% de evangélicos, segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, os fiéis enfrentam desafios adicionais. Embora a participação em cultos seja permitida, a abertura de novas igrejas é proibida, e cristãos são frequentemente alvo de detenções arbitrárias e assédio. Diante dessas restrições, milhares de evangélicos encontram refúgio espiritual nas chamadas 'igrejas domésticas', que são pequenos grupos que se reúnem em residências. Estima-se que existam entre 20 mil e 30 mil dessas comunidades ativas, operando sem autorização oficial e sob constante vigilância governamental, conforme a associação ASCE Cuba. A Missão Portas Abertas classifica Cuba em 24º lugar na sua Lista Mundial da Perseguição 2026, destacando as dificuldades enfrentadas pelos cristãos na ilha.