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Antissemitismo no Brasil registra alta alarmante

Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/shraga kopstein).

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou, na última segunda-feira (30), um relatório que revela um cenário alarmante: o antissemitismo no país registrou um crescimento de 150% desde 2022, com um total de 989 casos de hostilidade contra judeus contabilizados em 2025. Predominantemente digital, essa escalada do ódio é classificada pelos pesquisadores como o "novo normal" da discriminação em solo brasileiro, impactando profundamente as comunidades judaicas.

O Ódio em Ambiente Digital e Offline

A vasta maioria das manifestações de ódio antissemita foi identificada no ambiente digital, totalizando 800 ocorrências, enquanto 189 casos foram registrados fora da internet. As plataformas mais utilizadas para a disseminação desses conteúdos foram Instagram (37%), X (antigo Twitter, 13,8%) e Facebook (11,6%), embora o YouTube e o WhatsApp também tenham sido citados como vetores de conteúdos preconceituosos.

No universo online, os episódios abrangem desde a defesa explícita de ideologias nazistas e a desumanização de pessoas judias, até a proliferação de generalizações coletivas e teorias conspiratórias. Um exemplo preocupante citado foi o recrutamento de jovens por uma facção neonazista, utilizando o aplicativo Discord para planejar ataques a sinagogas.

As manifestações offline incluíram um incidente de hostilidade contra um rabino durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), comentários públicos que endossavam a figura de Hitler e a demissão de uma funcionária no Rio Grande do Sul, alegadamente por ser judia em meio ao conflito no Oriente Médio.

Impacto na Vida Cotidiana e Esferas Sociais

A pesquisa também destaca a penetração do antissemitismo em espaços acadêmicos e profissionais. Escolas e universidades registram manifestações de ódio, variando de ofensas entre estudantes a declarações de professores. No ambiente de trabalho, 46% dos profissionais judeus relataram ter sofrido antissemitismo, e 52% já ouviram piadas de cunho antissemita. Este aumento na hostilidade tem gerado um impacto significativo na rotina das comunidades judaicas, levando ao medo de exibir símbolos religiosos ou identitários em público.

Contexto Geopolítico e Pedido de Regulamentação

O relatório da Conib associa o recrudescimento do antissemitismo no Brasil a eventos como o ataque terrorista em Israel em 7 de outubro de 2023 e ao subsequente conflito na região. Anelise Fróes, coordenadora de enfrentamento ao Antissemitismo da Conib, ressaltou a necessidade urgente de regulação das plataformas digitais para combater a disseminação de discursos de ódio, seja ele racista ou antissemita.

A especialista enfatizou que a oposição ao sionismo ou a críticas às ações do governo israelense não devem resultar na responsabilização coletiva de judeus por todo o mundo. Fróes argumentou que "nenhum povo pode ser cobrado pelas ações de seus governantes", distinguindo as ações políticas de um Estado da identidade e crenças de indivíduos dispersos globalmente.

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