O adolescente Jonathan Muir Burgos, de 16 anos, enfrenta a negação de tratamento médico essencial enquanto detido em uma penitenciária de segurança máxima em Cuba, gerando graves preocupações sobre sua saúde. A Missão Portas Abertas denunciou que as autoridades cubanas impedem o jovem, que sofre de disidrose – uma condição dermatológica que causa bolhas e coceira intensa –, de acessar os cuidados necessários, numa ação que a organização interpreta como uma tática de pressão sobre seus pais, líderes de uma igreja evangélica não registrada pelo Estado.
Desde sua detenção, Jonathan não teve acesso a medicamentos, e as condições precárias da prisão, incluindo uma infestação de percevejos, agravaram seu quadro. Sem tratamento contínuo, o jovem corre risco de desenvolver infecções graves, que podem ser fatais.
Detenção e Contexto dos Protestos
Jonathan Muir Burgos e seu pai, o pastor Elier Muir Ávila, foram presos em março na cidade de Morón, província de Ciego de Ávila. A detenção ocorreu em meio a protestos populares motivados pela escassez crônica de alimentos, medicamentos e constantes quedas de energia no país. Embora o pastor Elier tenha sido libertado no mesmo dia, seu filho menor de idade permaneceu sob custódia, submetido a interrogatórios sobre sua participação e o teor de suas declarações durante a manifestação, incluindo se havia clamado por liberdade.
Padrão de Perseguição Religiosa
A família do pastor Elier Ávila tem sido alvo de pressão governamental devido às suas atividades religiosas, especialmente por liderar a igreja Tempo de Cosecha, uma congregação independente não reconhecida pelas autoridades. Em 2024, o pastor recebeu visitas de representantes do Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que o alertaram sobre a ilegalidade de igrejas e lideranças não autorizadas pelo governo.
O Reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, compara o caso de Jonathan ao de Lorenzo Rosales Fajardo, pastor que foi preso com seu filho adolescente após os protestos de julho de 2021. A Christian Solidarity Worldwide (CSW) corrobora este padrão, afirmando que “o governo cubano tem um longo histórico de mirar os filhos de líderes da igreja como uma tática de pressão”, destacando a vulnerabilidade particular de menores nesse cenário.
Liberdade Religiosa em Cuba
Cuba, um país com aproximadamente 85% de sua população identificada como cristã, dos quais cerca de 11% são evangélicos, figura na 24ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas. Apesar de a participação em cultos ser permitida, a abertura de novas igrejas é proibida, e cristãos frequentemente enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio.
Diante dessa repressão estatal, milhares de fiéis encontram refúgio nas chamadas igrejas domésticas – pequenos grupos que se reúnem secretamente em residências. Estima-se que existam entre 20 mil e 30 mil dessas comunidades ativas no país, operando sem autorização oficial e sob vigilância constante, tornando-se pilares fundamentais para a manutenção da fé. A Missão Portas Abertas apelou às autoridades cubanas para que garantam o acesso de Jonathan a cuidados médicos e a transparência em seus processos criminais, enfatizando a necessidade de solidariedade e a defesa da dignidade humana, especialmente para os mais vulneráveis.