A Arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, uniu-se ao Papa Leão XIV em um chamado enfático para que a Inteligência Artificial (IA) seja desenvolvida e empregada como uma ferramenta a serviço da humanidade, jamais como sua substituta. Ambos os líderes globais sublinharam a urgência de um debate ético aprofundado, expressando preocupações com o avanço tecnológico acelerado e seus potenciais impactos morais e sociais.
Visão da Arcebispa de Cantuária sobre o Potencial e Riscos da IA
Em sua fala na Câmara dos Lordes do Reino Unido, a Reverenda Mullally reconheceu a IA como um "produto notável da criatividade humana" que tem aberto portas para oportunidades significativas em diversas áreas. Contudo, ela alertou para o perigo de o ritmo vertiginoso da mudança tecnológica superar a capacidade da humanidade de desenvolver a necessária profundidade moral, espiritual e filosófica para lidar com tais avanços. A Arcebispa reiterou a importância crucial de a IA não "diminuir" ou comprometer a essência humana.
A Perspectiva Papal e o Perigo da Militarização
Corroborando a visão da Arcebispa, o Papa Leão XIV, em uma recente encíclica – um documento doutrinário oficial da Igreja Católica –, afirmou que "a humanidade, em toda a sua grandeza e fragilidade, nunca deve ser substituída ou superada" pela Inteligência Artificial. O sumo pontífice dedicou uma parte significativa de sua mensagem aos riscos da aplicação militar da IA, enfatizando que ela não erradica a "desumanidade intrínseca do conflito". Pelo contrário, a tecnologia pode acelerar os confrontos, torná-los mais impessoais, diminuir o limiar para o uso da violência e reduzir as vítimas a meros dados, contribuindo para a normalização da violência.
Limites da IA na Interação Humana e Alertas sobre Abusos
Recordando sua formação em enfermagem, Mullally destacou exemplos positivos da IA, como o aprimoramento da segurança em partos. No entanto, ela frisou que a tecnologia não pode substituir a empatia humana, o contato visual, o toque e a inteligência emocional inerentes ao cuidado com pacientes ou à comunicação de notícias delicadas. A Arcebispa manifestou profunda preocupação com a utilização de chatbots para simular atos como incesto, abuso sexual infantil e estupro, alertando para o grave risco de "normalização e legitimação de tais abusos" na sociedade contemporânea.
Um Apelo à Governança Colaborativa da Tecnologia
Concluindo seu pronunciamento, a Arcebispa Sarah Mullally enfatizou a necessidade de um engajamento amplo de toda a sociedade para determinar o papel da IA. Ela argumentou que uma tecnologia tão revolucionária não pode ser meramente "desencadeada", mas deve ser desenvolvida "conosco e para nós", a um ritmo humano e com objetivos que priorizem o bem-estar das pessoas. "Acima de tudo, devemos colocar as pessoas – a nossa comum e gloriosa humanidade – à frente do lucro, da conveniência ou do progresso tecnológico a qualquer custo", concluiu, visualizando a IA como uma ferramenta poderosa para a construção de "um mundo mais justo, abundante e cheio de esperança".