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Igreja da Inglaterra Pede Desculpas por Trauma em Adoções Pós-Guerra

 (Photo: Church of England)

A Igreja da Inglaterra emitiu um pedido de desculpas formal por seu papel nas práticas de adoção envolvendo mulheres e meninas solteiras no período pós-guerra, entre 1949 e 1976. O Arcebispo de Canterbury, Sarah Mullally, reconheceu publicamente a “dor, trauma e estigma” profundos e duradouros infligidos a muitas pessoas por essas ações. A declaração coincide com a publicação de um relatório detalhado que examina o envolvimento da Igreja, revelando uma cultura de vergonha e pressão que levou à separação de milhares de mães de seus filhos.

O relatório divulgado detalha que, durante o período analisado, estima-se que 185 mil crianças nascidas de mães solteiras na Inglaterra e no País de Gales foram dadas para adoção. O documento aponta uma “cultura de vergonha, estigma e secretismo” que envolvia as gestações fora do casamento, onde ideias patriarcais sobre a pureza sexual feminina eram predominantes, e termos depreciativos como “caída” ou “arruinada” eram comumente usados para se referir às mães, enquanto seus filhos eram rotulados como “bastardos”.

Contexto e Práticas da Época

Na sociedade britânica do pós-Guerra, a gravidez fora do casamento carregava um forte peso de estigma social. A vergonha recaía quase exclusivamente sobre a mulher, com o comportamento masculino frequentemente ignorado ou justificado. Neste cenário, a Igreja da Inglaterra desempenhou um papel significativo, mantendo lares para mães e bebês através de conselhos diocesanos e organismos nacionais como o Conselho de Bem-Estar Moral (Moral Welfare Council – MWC) e, posteriormente, o Conselho de Responsabilidade Social (Board for Social Responsibility – BSR).

Apesar de orientações oficiais frequentemente afirmarem que as mães deveriam ser apoiadas para manter seus filhos sempre que possível, o relatório conclui que a cultura e os sistemas sociais da época, muitas vezes exacerbados pelas instituições da Igreja, limitavam severamente as escolhas das mulheres. Essa pressão aumentava a probabilidade de adoção, descrevendo atitudes “desumanizadoras” em relação às mulheres e crianças sob os cuidados da Igreja. Algumas crianças eram até referidas como “matéria-prima” para agências de adoção, e a linguagem utilizada no processo frequentemente mercantilizava os menores.

Relatos de Vítimas e Compromisso Futuro

O estudo baseia-se em testemunhos de mulheres que se sentiram desamparadas, coagidas ou, em alguns casos, separadas de seus bebês contra a sua vontade. Os relatos também descrevem condições precárias em alguns lares, incluindo superlotação, aquecimento inadequado e a exigência de que as futuras mães realizassem trabalhos manuais como forma de “correção”. Tais experiências, conforme o relatório, permanecem uma parte importante da memória coletiva dessas mulheres.

Ao apresentar as desculpas, o Arcebispo Mullally afirmou: “Estamos profundamente arrependidos pela dor, trauma e estigma vivenciados – e ainda carregados – por muitas pessoas devido às práticas históricas de adoção em lares afiliados à Igreja da Inglaterra.” Ela destacou ter ouvido em primeira mão os relatos de mães separadas de seus filhos em circunstâncias onde tinham pouquíssimas opções reais. A Igreja reconhece também onde preconceitos, incluindo os de raça e deficiência, moldaram e definiram experiências e resultados. A instituição compromete-se a ouvir, aprender e responder com honestidade e compaixão, assegurando que tais falhas “nunca mais acontecerão”.

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