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Egito: Vítimas Coptas Detidas Após Ataque a Templo

Bandeira do Egito. (Foto: Canva Pro)

Quatro homens cristãos coptas foram detidos pela polícia egípcia na última quarta-feira, após serem agredidos por uma multidão durante um ataque a um local de culto não oficial na vila de Tal Al-Quiblya, província de Minya, no Alto Egito. Os indivíduos foram posteriormente libertados na sexta-feira, dois dias após as prisões, sob a condição de que retirassem formalmente as queixas apresentadas contra seus agressores.

O incidente de violência sectária, reportado pela Christian Solidarity Worldwide (CSW) e a Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa (EIPR), ocorreu quando uma multidão de moradores, predominantemente muçulmanos e composta por mulheres, crianças e adolescentes, lançou pedras contra a edificação. Durante o ataque, insultos de cunho religioso teriam sido proferidos.

O episódio resultou em ferimentos para diversos cristãos presentes no local. Além disso, a estrutura do imóvel utilizado para o culto e o veículo do padre sofreram danos materiais, conforme relatos de testemunhas.

As forças de segurança chegaram rapidamente para conter a situação, mas procederam à detenção dos quatro cristãos antes de restabelecer completamente a ordem. A libertação dos homens foi condicionada à desistência formal da queixa que haviam apresentado contra os agressores.

Paralelamente, um número não especificado de residentes muçulmanos também foi detido em conexão com o ocorrido, mas detalhes sobre suas condições de libertação não foram divulgados.

A ausência de um templo cristão permanente na comunidade de Tal Al-Quiblya perdurava há anos. Os fiéis coptas costumavam se reunir para orações e cultos dominicais em residências rotativas, uma dinâmica que, muitas vezes, dificultava a participação regular de parte da congregação. Recentemente, um edifício residencial foi adaptado para servir como local de culto, uma iniciativa que, segundo relatos, contava com o conhecimento prévio das autoridades de segurança e dos vizinhos muçulmanos.

O padre Pavlos Kamal, responsável pela comunidade, havia previamente notificado as autoridades sobre episódios de incitação e assédio durante celebrações anteriores. Contudo, a CSW indicou que nenhuma ação preventiva foi implementada antes da escalada da violência.

Mervyn Thomas, presidente da CSW, expressou profunda apreensão com o incidente, destacando a aparente relutância das autoridades em intervir proativamente para prevenir a violência. Thomas ressaltou que a detenção das vítimas e sua subsequente libertação, condicionada à retirada das queixas, aponta para uma preocupante desigualdade no tratamento perante a lei. A organização instou as autoridades egípcias a assegurar a aplicação da justiça e a combater a retórica de ódio que incita ataques contra cristãos.

Contexto da Comunidade Cristã no Egito

Os cristãos, em sua vasta maioria coptas ortodoxos, enfrentam pressões significativas tanto no âmbito legal quanto social no Egito. Eles representam aproximadamente 10% da população egípcia, sendo a maior comunidade cristã do Oriente Médio. A Igreja Copta Ortodoxa, uma das mais antigas denominações cristãs, tem suas raízes no século I, com a tradição de que foi fundada por São Marcos em Alexandria.

Recentemente, uma iniciativa para declarar a Páscoa como feriado nacional no Egito foi indeferida por um tribunal. A decisão alegou questões processuais e atribuiu a competência ao primeiro-ministro, sem analisar o mérito da questão. Para a maioria dos egípcios, o domingo é um dia útil regular. Consequentemente, cristãos que optam por celebrar a Páscoa podem enfrentar perdas salariais ou hostilidade profissional. Estudantes também correm o risco de penalidades acadêmicas por faltas relacionadas à festividade, conforme relatado pela ADF International, que apoiou o pleito.

Em dezembro do ano passado, o Ministério do Trabalho permitiu que funcionários cristãos do setor privado tirassem folga na Páscoa, mas essa medida não se estendeu aos servidores públicos e ainda estabeleceu uma distinção no número de dias de folga remunerada entre coptas, evangélicos e católicos.

Diante do cenário de violações, a Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) propôs que o Egito seja incluído na Lista de Vigilância Especial do Departamento de Estado, que cataloga nações onde abusos graves à liberdade religiosa são praticados ou tolerados.

Acusações de Blasfêmia e Perseguição Judicial

As leis egípcias sobre blasfêmia têm sido frequentemente invocadas por promotores contra indivíduos que expressam ou defendem suas convicções religiosas, resultando em penalidades que vão desde multas até sentenças de prisão. Um exemplo notório ocorreu em janeiro, quando Augustinos Samaan, pesquisador e YouTuber cristão copta, recebeu uma condenação de cinco anos de trabalhos forçados por conteúdos em vídeo nos quais ele abordava e defendia sua fé. Atualmente, dezenas de casos análogos aguardam julgamento nos tribunais do país.

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