O pastor Ezra Jin, fundador e líder da Igreja Zion, concedeu sua primeira entrevista pública após ser libertado da prisão na China. Em um testemunho raro e impactante, Jin detalhou a perseguição religiosa, as severas condições de detenção e a intensa pressão psicológica que sofreu para confessar crimes que nega ter cometido. Sua história ilumina o endurecimento da repressão contra grupos religiosos não-oficiais no país asiático, conforme reportagem especial da Sky News.
A Raridade de um Testemunho Livre
A correspondente da Sky News para a Ásia, Helen-Ann Smith, que acompanhou a fundo a situação dos cristãos na China, ressaltou a excepcionalidade do depoimento de Ezra Jin. Segundo Smith, é incomum que as autoridades chinesas libertem os chamados 'prisioneiros de consciência' – indivíduos detidos por suas crenças ou ativismo pacífico – e ainda mais raro que estes se sintam à vontade para compartilhar suas experiências abertamente. A entrevista marca a primeira vez que o pastor narra sua vivência diante de uma câmera para jornalistas ocidentais.
Contexto da Repressão Religiosa
A prisão de Ezra Jin se insere em um cenário de intensificação da fiscalização e controle estatal sobre as comunidades religiosas não registradas na China, frequentemente referidas como 'igrejas domésticas' ou clandestinas. Essas congregações, que se recusam a submeter-se à supervisão rígida imposta pelo governo, são oficialmente proibidas. Autoridades chinesas frequentemente utilizam acusações como 'operações comerciais ilegais' contra líderes de igrejas independentes para justificar prisões e dissolver tais grupos, como foi o caso do Pastor Jin.
Prisão, Pressão e Resolução
Detido sob a acusação de 'operações comerciais ilegais', Pastor Jin descreveu as duras condições carcerárias, incluindo celas superlotadas e uma rotina rigidamente controlada, onde até a menor ação exigia permissão. O mais angustiante, segundo ele, foi a pressão psicológica constante para admitir culpas inexistentes. Relatou ter sido manipulado com a ideia de que sua recusa em confessar implicaria a condenação de outros inocentes.
Em um dos momentos mais difíceis, sem acesso a seu advogado por quase um mês, Ezra Jin redigiu uma carta à sua família, reafirmando sua inocência e sua determinação em não confessar um crime que não cometeu, além de descartar qualquer intenção de suicídio. A Sky News informou ter apresentado essas alegações às autoridades chinesas, mas não obteve resposta.
Libertação Inesperada e Recomeço
A libertação do pastor Jin ocorreu de forma surpreendente. Ele foi inesperadamente retirado de sua cela, levado por agentes à uma estação de trem de alta velocidade e, subsequentemente, ao aeroporto. As autoridades comunicaram que, apesar de considerarem as acusações comprovadas, ele não seria processado criminalmente. Pouco depois, o pastor embarcou em um voo com destino aos Estados Unidos.
Os meses de prisão coincidiram com a gravidez de sua filha, Grace Jin, que compartilhou com a Sky News a dor de ter o pai ausente em um período tão significativo. O reencontro com a família nos Estados Unidos marcou o fim de um capítulo de provação, mas também o início de um novo ciclo de esperança para o pastor e seus entes queridos, reafirmando a fé que, segundo Grace, sempre foi um pilar em suas vidas.