A Igreja Católica Romana no País de Gales declarou apoio formal à campanha da Igreja Anglicana local para preservar o status confessional da Ysgol Cilgerran, uma escola primária em Pembrokeshire. A intervenção católica intensifica a controvérsia gerada pela decisão do Conselho do Condado de Pembrokeshire, que votou pela remoção do status de 'Voluntary Controlled' (VC) da instituição, suscitando alegações de discriminação e uma potencial ação legal.
A disputa teve início em 14 de maio, quando o conselho aprovou a alteração que desvincula a Ysgol Cilgerran de sua fundação religiosa. O status VC é comum no Reino Unido e confere às escolas confessionais uma gestão compartilhada com a autoridade local, mantendo seu ethos religioso enquanto recebem financiamento público e têm funcionários empregados pelo conselho. A decisão do conselho gerou surpresa e indignação, especialmente porque 97% das respostas a uma consulta pública prévia manifestaram oposição clara aos planos.
A Igreja Anglicana no País de Gales, também conhecida como Church in Wales, criticou a medida como “inteiramente desnecessária” e apresentou uma objeção formal. Além disso, a entidade religiosa sinalizou a intenção de recorrer a vias legais, argumentando que o conselho ou seus representantes teriam feito afirmações jurídicas infundadas e apresentações incorretas ao público, com potencial para discriminar o ensino religioso.
Apoio Católico e Alegações de Ilegalidade
O apoio à Church in Wales materializou-se com a manifestação de Angela Keller, conselheira para o País de Gales do Serviço de Educação Católica. Em uma carta dirigida ao Conselho de Pembrokeshire, Keller corroborou a posição anglicana, afirmando que a proposta do conselho “não demonstrou que os testes estatutários estabelecidos no Código de Organização Escolar foram cumpridos”.
Keller argumentou que “não há evidências que sugiram que a remoção da designação religiosa da escola trará qualquer benefício educacional, visto que a escola já apresenta bom desempenho e possui um perfil de liderança estável”. Ela também destacou que a própria autoridade local reconheceu que a proposta, apesar de gerar custos e interrupções associados à reorganização escolar, “não entregará nenhum benefício educacional ou financeiro identificável”.
Adicionalmente, a representante católica acusou o conselho de não considerar adequadamente suas obrigações sob a Lei de Igualdade de 2010. Esta legislação britânica visa proteger indivíduos contra discriminação, inclusive por motivos religiosos. Para Keller, remover o status confessional da Ysgol Cilgerran seria um ataque à liberdade de escolha dos pais e configuraria uma “discriminação indireta”, colocando famílias de uma religião específica em “grave desvantagem”, potencializando uma violação da Lei de Igualdade.
Reação e Próximos Passos
Um porta-voz da Church in Wales expressou satisfação com a intervenção de Keller, afirmando: “Saudamos esta mais recente e poderosa expressão de apoio à campanha para salvar o status confessional da Ysgol Cilgerran. A ameaça a Cilgerran é uma ameaça às escolas confessionais, à diversidade, à comunidade e às crianças e famílias impactadas pelas ações inteiramente desnecessárias do Conselho de Pembrokeshire.”
Em resposta às preocupações e alegações de ambas as igrejas, o Conselho de Pembrokeshire emitiu um comunicado. A declaração informa que “quaisquer objeções durante o período de notificação serão compiladas durante o verão, e o relatório deve retornar ao conselho no outono. As objeções serão plenamente consideradas e detalhadas no relatório de objeções. Estamos cientes das opiniões da diocese sobre o assunto.” O processo indica que a decisão final sobre o futuro da Ysgol Cilgerran ainda está em aberto, aguardando a análise das contestações apresentadas.