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Igrejas Britânicas Abraçam Criptomoedas para Doações

 (Photo: Getty/iStock)

No que pode ser um sinal de adaptação à era digital, igrejas no Reino Unido começam a explorar a aceitação de doações em criptomoedas. A Claygate Church, localizada na costa sul da Inglaterra, tornou-se um dos primeiros exemplos proeminentes a aceitar Bitcoin, destacando um crescente interesse entre instituições religiosas em aproveitar as moedas digitais para otimizar operações financeiras e fortalecer parcerias internacionais. Contudo, o movimento é acompanhado por cautela e intensas discussões sobre conformidade regulatória e a volatilidade inerente a esses ativos.

O Pioneirismo da Claygate Church

Sean Theunissen, líder de operações da Claygate Church, defende que a incursão no universo das criptomoedas não desvia a instituição de sua mensagem central, mas busca alinhamento com princípios éticos contra a injustiça e a corrupção frequentemente associadas a sistemas monetários tradicionais. A igreja, parte da rede New Frontiers, visa especificamente aprimorar a agilidade no apoio a projetos globais, superando obstáculos históricos de bancos intermediários que geravam atrasos em transferências financeiras essenciais para onde a ajuda é mais necessária. A transação em Bitcoin, uma moeda digital descentralizada e produzida por uma rede pública, promete maior eficiência.

Cenário de Adoção: Reino Unido vs. EUA

Enquanto a Claygate Church representa um grupo seleto no Reino Unido a aventurar-se nas moedas digitais, instituições religiosas nos Estados Unidos demonstram uma adoção mais acelerada. Plataformas de doação online americanas, como a Pushpay, já integram a opção de contribuições via ações e criptomoedas. Essa tendência é impulsionada pela busca de engajamento com uma nova geração, que muitas vezes se sente desconectada das formas tradicionais de interação com a igreja. No entanto, o cenário regulatório e tributário distinto entre os dois países impede uma comparação direta e influencia a maior prudência observada no Reino Unido.

Desafios Regulatórios e a Gestão de Ativos Digitais

Apesar do potencial, a aceitação de criptomoedas por caridades britânicas, incluindo igrejas, é encarada com ceticismo a curto prazo por muitos tesoureiros e angariadores de fundos. A volatilidade dos ativos digitais, que podem sofrer variações drásticas de valor em curtos períodos, representa um risco significativo para a gestão financeira das instituições. Adicionalmente, a necessidade de alinhar-se com rigorosos requisitos regulatórios e a disponibilidade de recursos para implementar sistemas seguros e transparentes são considerações cruciais.

A Church of England, por exemplo, embora não suporte atualmente doações em Bitcoin em seus sistemas nacionais, manifesta interesse em monitorar o desenvolvimento da área. Um porta-voz destacou que qualquer consideração futura de criptomoedas precisaria estar em plena conformidade com a legislação vigente e com a capacidade de implementação eficaz para garantir soluções de doação seguras e confiáveis.

Daniel Jones, Chief Purpose Officer da Stewardship, uma plataforma de doações do Reino Unido que facilita contribuições anuais de mais de £161 milhões para milhares de igrejas e caridades, ressalta que as igrejas sempre se adaptaram a novas tecnologias para cumprir sua missão. Ele enfatiza que o verdadeiro teste para as instituições que consideram aceitar Bitcoin reside na capacidade de fazê-lo de forma que reflita uma boa e legal gestão de recursos, servindo à missão divina. Isso implica uma análise cuidadosa de fatores como a flutuação de valor, governança e a demanda dos doadores, evitando o uso para burlar sistemas de controle existentes.

Orientações da Charity Commission

A complexidade e a natureza disruptiva das criptomoedas levaram a Charity Commission, órgão regulador das instituições de caridade do Reino Unido, a publicar diretrizes atualizadas em abril de 2023. Sam Jackson, Diretor Assistente de Políticas da Comissão, afirmou que, à medida que mais caridades operam online e novas tecnologias emergem, os conselheiros precisarão navegar por riscos antes não considerados. A atualização visa equipar as instituições com as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios da era digital, promovendo tanto a curiosidade quanto a cautela na abordagem desses novos instrumentos financeiros.

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