O Reverendíssimo Paul Butler, bispo emérito de Durham e ex-líder em proteção infantil da Igreja da Inglaterra, admitiu formalmente sua má conduta em relação ao gerenciamento de alegações de abuso contra o falecido John Smyth. A confissão ocorreu durante uma audiência disciplinar perante o Tribunal do Vigário Geral de York, marcando um desenvolvimento crucial nas investigações decorrentes da severa Revisão Makin, que expôs falhas institucionais na resposta da Igreja a décadas de denúncias.
John Smyth, que faleceu em 2018, é amplamente reconhecido por um extenso histórico de abusos que se estendeu por décadas, afetando vítimas tanto no Reino Unido quanto em diversas nações africanas. Os crimes, frequentemente perpetrados sob o pretexto de disciplina religiosa em acampamentos evangelistas, geraram um dos maiores escândalos de abuso na história recente da Igreja Anglicana, abalando profundamente sua credibilidade e levantando questões urgentes sobre a proteção de menores.
A Revisão Makin e a Crise na Liderança Eclesiástica
A gestão da Igreja da Inglaterra frente ao escândalo Smyth foi alvo de duras críticas, culminando na Revisão Makin. Este inquérito independente concluiu que o então Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, não havia tomado as ações necessárias após ser informado das denúncias. Welby, que posteriormente renunciou, reconheceu ter “falhado pessoalmente” em garantir uma investigação “enérgica” da “terrível tragédia”. Embora aceitasse a responsabilidade geral, ele também contestou parcialmente as descobertas de Makin, afirmando que provas subsequentes indicavam que as acusações foram reportadas às autoridades policiais, as quais teriam instruído a Igreja a não investigar, para não comprometer suas próprias diligências.
Implicações para Butler e Próximos Passos Disciplinares
Paul Butler não é a única figura eclesiástica implicada em falhas no caso Smyth. Atualmente, sete clérigos enfrentam processos disciplinares sob a Medida Disciplinar do Clero (CDM), mecanismo interno da Igreja para lidar com má conduta, devido às deficiências apontadas pela Revisão Makin. A denúncia contra o bispo emérito Butler, que já havia sido solicitado a se afastar do ministério em 2024, baseia-se diretamente nas informações detalhadas no relatório Makin e foi apresentada pelo Diretor Nacional de Salvaguarda, Sr. Alexander Kubeyinje.
Conforme comunicado pelo CDM, no início da audiência, o Reverendíssimo Paul Butler “admitiu as alegações de má conduta” contra ele. A sessão foi então adiada, e uma nova audiência será agendada futuramente para determinar a sanção. As penalidades previstas pelo CDM são abrangentes, variando desde uma dispensa condicional até a proibição vitalícia do ministério e a destituição do cargo.