Em 31 de agosto de 2026, três influentes organizações evangélicas do Rio de Janeiro formalizaram seu apoio à candidatura de reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em carta aberta, a Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Portes do Estado do Rio de Janeiro (AITEMPERJ), a Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida (AMEVIDA) e o Movimento Jesus Libertador (MJL-RJ) justificaram a decisão pela consonância entre o compromisso social do atual governo e os ensinamentos bíblicos de amparo aos mais vulneráveis.
Fundamentação Teológica e Políticas Sociais
O documento conjunto assinado pelas lideranças evangélicas defende a indissociabilidade entre fé e compromisso social. São citadas passagens bíblicas como Provérbios 31:8-9 e Isaías 1:17, que exortam à defesa dos direitos dos pobres e oprimidos, além de Mateus 5:6, que aborda a busca pela justiça divina na Terra.
A partir dessa interpretação, as associações destacam programas federais como manifestações concretas do amor ao próximo. Entre as iniciativas mencionadas estão o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa Gás do Povo, que em 2026 foi convertido em política pública permanente pela Lei nº 15.348, assegurando a gratuidade da recarga de gás de cozinha para famílias de baixa renda elegíveis, também recebeu destaque.
Legado Legislativo para o Segmento Evangélico
Para além da pauta de assistência social, as entidades ressaltam que os governos de Lula foram responsáveis pela sanção de legislações cruciais para o reconhecimento e a operacionalização das instituições religiosas no Brasil. A carta elenca medidas que, segundo as associações, atestam o respeito à liberdade de culto:
<ul><li><b>Lei nº 10.825/2003:</b> Concedeu personalidade jurídica própria às organizações religiosas, garantindo autonomia na criação e funcionamento.</li><li><b>Lei nº 12.025/2009:</b> Instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.</li><li><b>Lei nº 12.328/2010:</b> Criou o Dia Nacional do Evangélico, celebrado em 30 de novembro.</li><li><b>Lei nº 14.970/2024:</b> Estabeleceu o Dia Nacional da Pastora Evangélica e do Pastor Evangélico.</li><li><b>Lei nº 14.969/2024:</b> Reconheceu as expressões artísticas cristãs e as influências do cristianismo como manifestação cultural brasileira.</li></ul>
Segundo as organizações, esse conjunto de leis demonstra que os evangélicos são parte integrante do desenvolvimento do país e têm sua liberdade de crença e expressão plenamente respeitadas pela atual gestão federal.
Impacto na Disputa Eleitoral de 2026
Analistas políticos ponderam que, apesar do forte simbolismo, a influência direta dessas três entidades restringe-se majoritariamente ao estado do Rio de Janeiro. O eleitorado evangélico brasileiro é caracterizado por sua pluralidade, descentralização e diversidade de correntes teológicas, não se representando por um único posicionamento político.
Conforme dados do Censo de 2022, o segmento evangélico no Brasil contabiliza aproximadamente 47,4 milhões de pessoas, correspondendo a 26,9% da população com 10 anos ou mais. Esse peso demográfico o torna um dos principais focos de disputa nas campanhas presidenciais. Pesquisas recentes indicam que uma parte considerável do público evangélico mantém maior proximidade com candidaturas de direita, com vantagem apontada para Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula.
Diante desse cenário, a campanha governista intensifica o diálogo com setores progressistas da igreja, visando demonstrar que os valores cristãos também convergem com a justiça social e o combate à fome. O manifesto das entidades fluminenses ainda estende o voto de confiança à deputada Benedita da Silva (PT) para o Senado e conclama os fiéis a orarem por um processo eleitoral pacífico e democrático.