Edifícios religiosos históricos em todo o Reino Unido enfrentam uma crescente crise de manutenção, apesar da injeção de mais de £2,6 milhões em subsídios, conforme alertou o National Churches Trust. A entidade filantrópica expressou sérias preocupações com a sustentabilidade dessas estruturas milenares, especialmente após a decisão governamental de extinguir o esquema de reembolso de IVA para reparos em locais de culto tombados.
Em seu mais recente relatório anual, o National Churches Trust detalhou que, no ano passado (referente a dados de 2024), apoiou 326 projetos em igrejas, capelas e casas de reunião, beneficiando 252 locais de culto. Este volume representa um ligeiro aumento em relação aos 314 subsídios concedidos no ano anterior. O financiamento abrangeu 105.754 anos acumulados de história eclesiástica, com aproximadamente um terço dos recursos destinados a comunidades carentes. Notavelmente, nove subsídios individuais superaram as £40.000, e a atuação da organização contribuiu para a remoção de 12 igrejas do Registro de Patrimônio em Risco.
O Impacto da Revogação do Subsídio de IVA
A principal preocupação da instituição reside na revogação do Esquema de Subsídios para Locais de Culto Tombados (Listed Places of Worship Grant Scheme – LPWGS), implementado em 2002. Este programa permitia que igrejas e outros locais de culto protegidos pelo patrimônio histórico recuperassem o IVA pago sobre obras de reparo e manutenção. Embora o LPWGS tenha sido estendido por um ano em janeiro de 2025, com um orçamento reduzido de £23 milhões e um limite de £25.000 por solicitação, ele foi definitivamente descontinuado em janeiro de 2026.
Apesar de uma avaliação encomendada pelo próprio governo ter demonstrado os múltiplos benefícios do LPWGS, ele foi substituído na Inglaterra pelo novo Fundo de Renovação de Locais de Culto, com um orçamento total de £92 milhões para quatro anos (£23 milhões anuais). No entanto, Sir Philip Rutnam, presidente do National Churches Trust, e Claire Walker, diretora executiva, alertam que a nova estrutura impõe um custo adicional de 20% em IVA para cada igreja tombada que realizar reparos. Eles preveem que isso pode resultar no cancelamento ou redução de projetos, elevando o risco de fechamento de igrejas e danos adicionais a esses edifícios históricos.
Desafios e o Valor Comunitário das Igrejas
As preocupações são corroboradas por uma Pesquisa Nacional de Igrejas, que envolveu 3.628 instituições de mais de 70 denominações. O estudo revelou que mais de um terço dos telhados das igrejas estão “em risco ou com necessidade urgente de reparo”, enquanto muitas comunidades enfrentam dificuldades para recrutar voluntários e angariar os fundos necessários para a conservação. A pesquisa também sublinhou a vital importância contínua das igrejas para as comunidades locais, estimando que mais de 830.000 pessoas se voluntariam regularmente em igrejas no Reino Unido, com uma congregação típica dependendo de cerca de 265 horas de trabalho voluntário mensalmente.
Além de seu papel espiritual, o Trust defende que as igrejas sejam reconhecidas como bens patrimoniais e comunitários essenciais. A Arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, enfatizou no relatório que esses edifícios são “marcos da herança cristã” do país, que incorporam “fé, comunidade e pertencimento”. Ela expressou gratidão aos voluntários e apelou à colaboração entre igrejas, instituições de caridade e órgãos públicos para garantir o futuro desses tesouros arquitetônicos.
Escala do Patrimônio Eclesiástico
A Igreja da Inglaterra, sozinha, possui aproximadamente 16.200 igrejas e catedrais, das quais mais de 12.000 são tombadas – cerca de 4.300 delas com status de Grau I, o mais alto nível de proteção. Estima-se que quatro em cada cinco desses edifícios apoiem cerca de 31.300 iniciativas de ação social anualmente. Contudo, 927 dos 969 locais de culto listados no Registro de Patrimônio em Risco de 2025 pertencem à Igreja da Inglaterra, evidenciando a magnitude do desafio de conservação.