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Abadia de Westminster Homenageará J.R.R. Tolkien

 (Photo: Jonny Nolan)

A Abadia de Westminster, um dos mais importantes ícones históricos e religiosos do Reino Unido, anunciou a instalação de um novo memorial em homenagem ao renomado autor J.R.R. Tolkien. A cerimônia de inauguração está programada para a primavera do próximo ano, coincidindo com o 90º aniversário da publicação de sua obra seminal, 'O Hobbit'. O monumento será erguido no prestigiado Canto dos Poetas, um espaço reservado à memória de grandes nomes da literatura britânica, onde também é celebrado o legado de seu amigo e colega escritor C.S. Lewis.

Detalhes do Memorial e sua Simbologia

Com dois metros e meio de altura, o memorial é uma criação do artista Stephen Broadbent, que buscou inspiração na 'Árvore dos Contos' de Tolkien. A estrutura será confeccionada a partir de madeiras provenientes de árvores britânicas, incluindo uma de especial relevância, originária do Jardim Botânico da Universidade de Oxford, local pelo qual Tolkien nutria grande apreço. A escolha do material e do conceito reflete a profunda conexão do autor com a natureza e as narrativas épicas que permeiam suas obras.

O Legado de Tolkien e a Amizade com C.S. Lewis

John Ronald Reuel Tolkien, amplamente reconhecido por suas criações como 'O Hobbit' e a trilogia 'O Senhor dos Anéis', e C.S. Lewis, autor das 'Crônicas de Nárnia', são considerados dois dos mais influentes escritores de fantasia do século XX. Além de seu impacto literário, a amizade entre eles foi notável, com Tolkien desempenhando um papel crucial na conversão de Lewis ao cristianismo. Lewis, que em sua juventude foi um ateu convicto, relatou ter superado suas últimas objeções à fé cristã em 1931, durante uma memorável conversa com Tolkien e o estudioso shakespeariano Hugo Dyson.

Para Tolkien, católico praticante por toda a vida, a história de Jesus Cristo representava um 'mito verdadeiro' – a única instância de um arquétipo mítico que se concretizou historicamente, diferenciando-a das demais lendas e paganismos, dos quais ambos os escritores eram admiradores. Embora satisfeito com a conversão de Lewis, Tolkien expressou certa decepção com a escolha do amigo pelo anglicanismo, em vez do catolicismo.

A Fé e o Tradicionalismo de Tolkien

Linguista habilidoso e tradicionalista convicto, Tolkien manteve-se fiel à fé católica até seus últimos dias. Sua devoção era tal que, mesmo após as reformas do Concílio Vaticano II, que incentivaram a utilização de línguas vernáculas na missa, ele persistiu em responder às orações em latim, demonstrando seu profundo apego às tradições litúrgicas. A Abadia de Westminster, uma instituição historicamente anglicana, ao acolher a memória de um dos mais fervorosos defensores do catolicismo tradicional, sublinha a amplitude e a transcendência do legado cultural de J.R.R. Tolkien, reconhecido além das divisões confessionais.

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