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Bible Society Reafirma Pesquisa de ‘Avivamento Tranquilo’ no Reino Unido

 (Photo: Getty/iStock)

A Diretora de Pesquisa e Impacto da Bible Society, Rhiannon McAleer, defendeu enfaticamente um estudo publicado no ano passado que aponta para um “avivamento tranquilo” do cristianismo na Grã-Bretanha. A pesquisa, que sugere um aumento na participação em igrejas, especialmente entre jovens, tem sido objeto de escrutínio metodológico, mas a organização mantém a solidez de seus dados.

Realizado pela YouGov em nome da Bible Society – uma organização dedicada à tradução e distribuição da Bíblia –, o levantamento indicou que aproximadamente 12% dos adultos britânicos frequentaram a igreja pelo menos uma vez por mês no ano passado. Este índice representa um crescimento notável em comparação com os 8% registrados em 2018. O estudo destacou um incremento particularmente expressivo entre os jovens: a frequência mensal em igrejas entre homens de 18 a 24 anos saltou de 4% para 20% no mesmo período, enquanto para as mulheres da mesma faixa etária, a taxa subiu de 4% para 12%.

Contudo, os resultados geraram debate no meio acadêmico e religioso. O Pew Research Center, uma renomada instituição de pesquisa de tendências sociais e religiosas, levantou dúvidas sobre a metodologia empregada. A crítica principal recaiu sobre o uso de inquéritos “opt-in” – nos quais os participantes escolhem voluntariamente responder – em contraste com amostras aleatórias da população, o que, segundo o Pew, poderia introduzir um viés nos resultados, favorecendo respostas de indivíduos já engajados ou interessados em questões religiosas.

Em resposta a essas contestações, McAleer afirmou à publicação Christian Daily International que os dados da Bible Society são “robustos” e que a YouGov, agência responsável pela coleta, “continua a apoiá-los”. Ela salientou a importância de um diálogo aberto e genuíno, mas fez um apelo por padrões justos na avaliação metodológica, sugerindo que as críticas nem sempre aplicam o mesmo rigor a outros conjuntos de dados que porventura são usados para contestar suas descobertas.

A diretora revelou que, antes da publicação do estudo, a Bible Society já recebia relatos anedóticos de igrejas sobre um interesse renovado na fé, especialmente entre homens jovens. Apesar disso, sua equipe não esperava que essa tendência se manifestasse de forma tão pronunciada nos dados. Diante da surpresa, a equipe retornou à YouGov para uma verificação aprofundada, confirmando a robustez da metodologia e a ausência de falhas nos dados levantados. Desde a divulgação do relatório, ainda mais evidências informais têm surgido para corroborar a percepção de um “avivamento tranquilo”, com igrejas em todo o país reportando picos de interesse em datas como Páscoa e Natal, superando as flutuações sazonais habituais, e catedrais mantendo altos índices de público.

Causas Potenciais e Busca por Significado

Ao especular sobre as razões por trás do aumento da frequência de jovens homens em igrejas, McAleer apontou para um cenário de insatisfação generalizada. “Muitos jovens homens na Grã-Bretanha e em outras partes do mundo estão descontentes”, observou. Ela citou a crescente crise de saúde mental masculina e mudanças no comportamento de alguns jovens no mundo secular, manifestadas em fenômenos como a cultura de academia, o interesse pelo estoicismo e a busca por disciplina e estilos de vida mais saudáveis. A diretora sugeriu que figuras como Jordan Peterson, que abordam temas de responsabilidade individual e busca por significado, também ressoam com essa ânsia por novas formas de viver que conduzam ao “florescimento pessoal”.

Nesse contexto, McAleer argumenta que não é surpreendente que alguns indivíduos encontrem realização na igreja. Ela destacou um dado particular da pesquisa: ao questionar não-frequentadores sobre seu interesse em aprender mais sobre a Bíblia, jovens adultos – especialmente homens que não frequentam a igreja atualmente – foram os mais propensos a responder afirmativamente. Isso sugere uma curiosidade subjacente e uma abertura para a espiritualidade, mesmo entre aqueles que não estão ativamente engajados com instituições religiosas.

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