A histórica Catedral de Lincoln, no Reino Unido, está na vanguarda de um projeto arqueológico inovador, sendo a primeira catedral britânica a passar por um levantamento completo com Radar de Penetração no Solo (GPR). Este mapeamento detalhado, que durou aproximadamente duas semanas e foi realizado nas primeiras horas da manhã para evitar interrupções a visitantes, tem o potencial de revelar camadas ocultas de sua vasta história, além de identificar infraestruturas modernas no subsolo.
A iniciativa para a varredura foi originalmente encomendada pelas autoridades da catedral não com fins arqueológicos, mas para inspecionar possíveis vazios sob o pavimento e confirmar a localização exata de tubulações de aquecimento central e outras infraestruturas. A tecnologia GPR, que emprega ondas eletromagnéticas para criar um mapa não invasivo do subsolo, foi considerada uma alternativa significativamente mais econômica e menos disruptiva em comparação com escavações tradicionais.
Dr. Jonathan Clark, arqueólogo da catedral, destacou a profundidade da iniciativa em entrevista à BBC, comparando o processo a 'fatiar um bolo', onde cada camada revela um período distinto dos quase 2.000 anos de história acumulada no local. Ele expressou otimismo quanto à possibilidade de descobrir sepultamentos de indivíduos historicamente significativos e até então desconhecidos, antecipando 'surpresas interessantes' nos resultados completos, que são aguardados para a primavera.
Uma Janela para o Passado e Descobertas Anteriores
A atual estrutura da Catedral de Lincoln difere consideravelmente daquela erguida pelos normandos no final do século XI. Um terremoto em 1185 devastou grande parte da construção original, poupando apenas a fachada oeste, que permanece de pé até hoje como um testemunho de sua resiliência. Após um extenso período de reconstrução, por um tempo, a catedral ostentou o título de edifício mais alto do mundo, antes do colapso de sua agulha em 1549.
A rica e complexa história da catedral já proporcionou descobertas inesperadas. No ano passado, por exemplo, arquivistas encontraram correspondências inéditas do renomado autor de 'Alice no País das Maravilhas', Lewis Carroll. Entre os documentos, havia um convite para um jantar que mencionava indivíduos que, segundo registros, inspiraram cenas de sua obra mais famosa, evidenciando o potencial contínuo de novas revelações advindas tanto do acervo documental quanto do subsolo da imponente estrutura.