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Conflito no Sudão: Mais de 160 Igrejas Destruídas ou Militarizadas

Templos foram destruídos durante a guerra no Sudão. (Foto: Reprodução/CBN News).

O Sudão enfrenta uma crise humanitária de proporções alarmantes, exacerbada pela guerra civil entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), iniciada em abril de 2023. Nesse cenário de violência generalizada, mais de 160 igrejas foram danificadas, destruídas ou convertidas em instalações militares, como quartéis e depósitos de armas, conforme aponta o Departamento de Estado dos Estados Unidos. A situação se agrava para comunidades cristãs, que se encontram entre os grupos mais vulneráveis ao deslocamento, à fome e à perseguição religiosa.

Intensificação da Crise Humanitária e Perseguição Religiosa

Desde o início do conflito, estima-se que entre 60 mil e 400 mil pessoas tenham perdido a vida, e um número chocante de 12 a 14 milhões de sudaneses foram forçados a abandonar suas casas, tornando-se deslocados internos ou refugiados. A economia do país colapsou, e aproximadamente 20 milhões de indivíduos enfrentam fome severa. Neste ambiente de caos, as minorias cristãs são frequentemente marginalizadas no acesso a ajuda humanitária e refúgios seguros, conforme relatou Ryan Brown, CEO da Portas Abertas dos EUA, uma organização de advocacy cristão.

O Sudão ocupa a quarta posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026 da Portas Abertas, que classifica os países mais desafiadores para os cristãos. O conflito intensificou os ataques aos crentes e expandiu a perseguição de áreas rurais para centros urbanos, que antes eram considerados locais de maior segurança para as comunidades religiosas minoritárias.

Igrejas Alvo de Saques e Confisco

Relatos indicam que igrejas têm sido saqueadas, confiscadas e utilizadas para fins militares por grupos armados de ambos os lados do conflito. Em um incidente chocante na capital Cartum, combatentes da RSF invadiram a Igreja dos Mártires durante um culto de oração. O diácono Safein Nazer testemunhou à CBN News a violência, incluindo agressões aos fiéis, roubo de objetos de valor, profanação de sepulturas em busca de ouro e uma tentativa de sequestro de meninas do orfanato da igreja, algumas com apenas 11 anos.

Nazer, que foi ferido a tiros ao confrontar os agressores, descreveu o horror de ver as meninas quase serem levadas, ressaltando a vulnerabilidade das crianças e das mulheres, que são frequentemente alvo de violência sexual ou recrutamento como crianças-soldado. Apesar das adversidades, o diácono afirmou que a fé da comunidade foi fortalecida em meio ao sofrimento.

Impacto na Liberdade Religiosa Pós-Golpe

A atual crise humanitária e a deterioração da liberdade religiosa no Sudão são consequências diretas do golpe militar de 2021 e da guerra civil subsequente, que anularam os avanços conquistados após a queda do regime autoritário de Omar al-Bashir em 2019. O vácuo de poder criado pelo conflito permitiu que milícias de ambos os lados atacassem cristãos sem temor de punição.

As políticas restritivas foram restabelecidas, e as leis islâmicas são frequentemente usadas para justificar conversões forçadas e punições físicas. Cristãos convertidos do islamismo vivem sob constante ameaça de isolamento, violência e rejeição familiar. Além disso, igrejas são fechadas à força, impedidas de se registrar e destruídas, enquanto líderes religiosos e estrangeiros cristãos são alvo de prisões injustas, refletindo um cenário de grave retrocesso nos direitos humanos e na liberdade de culto.

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