PUBLICIDADE

Dois Cristãos Mortos em Repressão Violenta a Protestos no Irã

Mohsen Rashidi. (Foto: Article 18).

Dois cidadãos cristãos, Mohsen Rashidi, de 42 anos, e Ehsan Afshari-Manesh, de 39, foram identificados entre as milhares de vítimas fatais da violenta repressão às manifestações contra o regime islâmico no Irã. Seus casos, ocorridos em incidentes distintos no início de janeiro, sublinham a brutalidade empregada pelas forças de segurança contra a população civil.

Mohsen Rashidi foi baleado nas costas em 9 de janeiro, na cidade de Baharestão, província de Isfahan, enquanto tentava resgatar o corpo de um amigo ferido durante um protesto. Segundo a Article 18, uma organização que monitora a perseguição a cristãos, Rashidi foi inicialmente agredido pelas forças de segurança ao tentar socorrer seu amigo, Shahram Maghsoudlou, que havia sido alvejado no peito.

Conforme relatos de Solmaz, cunhada de Mohsen, ele retornou ao local após a dispersão inicial das forças para tentar recuperar o corpo de Shahram, momento em que foi atingido novamente, pelas costas. Apesar de ser levado ao hospital por outros manifestantes, sua entrada para tratamento médico foi negada, e ele veio a óbito devido à hemorragia intensa.

A família de Rashidi buscou por ele por cinco dias antes de encontrar seu nome na lista de vítimas. As autoridades pressionaram a família a assinar um documento falso, que classificava Mohsen como membro do grupo paramilitar Basij e atribuía sua morte a manifestantes. Após a recusa, o corpo só foi liberado mediante o pagamento de um bilhão de tomans (aproximadamente 8.000 dólares). Adicionalmente, foi impedido à família de Mohsen realizar um funeral ou colocar uma lápide em seu túmulo.

O Trágico Fim de Ehsan Afshari-Manesh

Ehsan Afshari-Manesh, outro cristão de 39 anos, também pereceu nos protestos iranianos. Residente na Suécia, Ehsan havia viajado ao Irã para visitar seus pais idosos no ano anterior, sendo impedido pelas autoridades de retornar e obrigado a completar o serviço militar. Ele se juntou aos protestos que eclodiram em 28 de dezembro e foi atingido por dois tiros no estômago, conforme seu pastor, Hossein Bahrami.

Sua família procurou por Ehsan durante onze dias até ser informada de sua morte. O jornal sueco Dagen divulgou que seu rosto estava irreconhecível devido aos ferimentos, e ele só pôde ser identificado por tatuagens nas costas e ombros. Ehsan foi sepultado em Teerã no mês passado, e um culto em sua memória foi realizado em sua igreja em Västerås, na Suécia.

Repressão Massiva e o Custo Humano dos Protestos

Os casos de Mohsen e Ehsan são emblemáticos de uma repressão mais ampla. O portal iraniano Iran International e a revista Time estimam que mais de 36 mil pessoas foram mortas pelo regime aiatolá durante o ápice dos protestos no início de janeiro. Essas estimativas são fundamentadas em documentos confidenciais, relatórios de campo, e depoimentos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares das vítimas.

A escala desses assassinatos é apontada como o massacre mais sangrento de civis em protestos de rua, concentrado em um período de apenas dois dias, na história. A maioria das mortes é atribuída ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a elite militar e ideológica do Irã, e à milícia aliada Basij, uma força paramilitar voluntária, havendo também relatos do uso de combatentes de procuração provenientes do Iraque e da Síria.

Leia mais

PUBLICIDADE