A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tornou públicos os nomes de quatro instituições religiosas e cinco líderes evangélicos que são objeto de análise nos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida veio a público em suas redes sociais e sucede críticas do pastor Silas Malafaia, que cobrou a apresentação de evidências específicas após declarações genéricas sobre o envolvimento de religiosos em esquemas fraudulentos.
Contexto da Divulgação e Repercussão
A controvérsia ganhou destaque quando a senadora afirmou, no último domingo, que a CPMI havia identificado a participação de “grandes igrejas” e “grandes pastores” em desvios de recursos previdenciários. Malafaia, então, reagiu publicamente, exigindo que Damares especificasse as acusações, alegando que as generalizações prejudicavam a imagem da Igreja Evangélica como um todo. Em resposta, Damares Alves divulgou uma nota, reiterando sua autoria no requerimento para a criação da CPMI e sua atuação como membro titular desde o início dos trabalhos, assegurando que todos os dados revelados são parte de documentos oficiais e de acesso público na comissão.
Igrejas e Pastores Citados na CPMI
De acordo com as informações divulgadas pela senadora, quatro igrejas tiveram pedidos de quebra de sigilo aprovados pela comissão, uma ferramenta investigativa crucial que permite acesso a dados financeiros e bancários, por exemplo. São elas: Adoração Church, Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, Ministério Deus é Fiel Church e Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Além das instituições, cinco líderes religiosos também foram citados nos autos da CPMI, seja por meio de convocações ou convites para prestar esclarecimentos. A lista inclui Cesar Belucci, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes. O pastor André Machado Valadão foi explicitamente mencionado como tendo sido convocado e alvo de pedido de quebra de sigilo, indicando um foco mais aprofundado em sua participação.
Compromisso e Desafios da Investigação
Damares Alves expressou seu “profundo desconforto” e tristeza diante da possibilidade de envolvimento de organizações e líderes religiosos em fraudes previdenciárias. Contudo, ela enfatizou o dever constitucional da CPMI de apurar os fatos com rigor, baseando-se em provas, sem distinções de qualquer natureza. A senadora relatou, ainda, pressões constantes para barrar as investigações, muitas delas vindas de setores preocupados com o impacto das denúncias sobre os fiéis. “Estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade dizendo para não investigar, para não falar, porque os fiéis vão ficar tristes”, afirmou.
Andamento e Próximos Passos da CPMI
A CPMI do INSS, que encerra oficialmente seus trabalhos em março de 2026, teve sua prorrogação por mais 60 dias defendida pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), em virtude da complexidade e abrangência nacional do esquema investigado. O presidente destacou que a comissão analisou cerca de 4.800 documentos, identificou 108 empresas suspeitas e ouviu 26 testemunhas em 28 reuniões, incluindo ex-ministros da Previdência. Entre as ações propostas, Viana planeja solicitar ao Supremo Tribunal Federal a suspensão imediata de aproximadamente dois milhões de contratos de empréstimos consignados sob suspeita de irregularidades. Um balanço preliminar dos trabalhos é esperado para fevereiro.