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Datafolha: Maioria dos Brasileiros Desaprova Morte Assistida

Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/engin akyurt).

Uma pesquisa inédita do Datafolha, divulgada recentemente, revelou que a maioria dos brasileiros manifesta oposição à eutanásia e ao suicídio assistido. O levantamento, pioneiro na análise da percepção pública nacional sobre o tema da morte assistida, indica que 56% dos entrevistados são contra a eutanásia, enquanto 60% se opõem ao suicídio assistido.

Realizado entre os dias 3 e 4 de agosto, o estudo consultou 2.050 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país, oferecendo um panorama abrangente da complexa visão da sociedade brasileira acerca de questões de vida e morte.

Diferenças e Nuances nas Opiniões

As práticas de eutanásia e suicídio assistido, embora relacionadas à antecipação da morte, possuem distinções cruciais. A <b>eutanásia</b> ocorre quando um profissional de saúde administra diretamente uma substância letal a um paciente que expressou o desejo de morrer. No <b>suicídio assistido</b>, o próprio paciente ingere a medicação que causará o falecimento, embora ela tenha sido prescrita ou providenciada por um terceiro.

Aprofundando os dados, a pesquisa detalha que 45% dos brasileiros são totalmente contra a eutanásia, com 11% sendo parcialmente contrários. Já 22% se declaram totalmente a favor e 17% são parcialmente favoráveis. Em relação ao suicídio assistido, 50% são totalmente contra e 10% parcialmente, enquanto 22% são totalmente favoráveis e 13% parcialmente.

O Datafolha também abordou outras questões sensíveis. Sobre a interrupção de tratamentos que prolongam a vida de pacientes com doenças incuráveis por aparelhos, a opinião se divide igualmente: 48% aprovam, e outros 48% desaprovam. Quando perguntados se cada pessoa deveria ter o direito de decidir sobre o fim da própria vida, incluindo o momento e a forma de morrer, mesmo que isso implicasse antecipar o falecimento, 51% responderam negativamente e 46% afirmativamente.

Moralidade e Influências Demográficas

A percepção da moralidade em torno da assistência à morte por um médico a um paciente terminal, a seu pedido, também foi investigada. Para 51% dos entrevistados, tal conduta é moralmente errada, enquanto 42% a consideram correta. Outros 4% indicaram que a avaliação depende da situação específica.

Idade e religião emergiram como os fatores mais influentes na formação dessas opiniões. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 63% consideram moralmente aceitável que um médico auxilie um paciente terminal a morrer, um percentual que diminui progressivamente com o aumento da idade, chegando a 29% entre idosos com 60 anos ou mais.

A afiliação religiosa também demonstra um impacto significativo. Somente 34% dos evangélicos veem como moralmente correto um médico ajudar um paciente terminal a morrer, um número que sobe para 41% entre os católicos e 46% para aqueles de outras religiões. Em contraste, 57% das pessoas que não se declaram religiosas consideram a prática moralmente aceitável.

Legislação Brasileira e Cenário Internacional

No Brasil, tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido são considerados ilegais. A eutanásia é tipificada como homicídio pelo Código Penal, enquanto o suicídio assistido se enquadra no crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, sujeitos a penalidades legais. A discussão sobre a legalização dessas práticas frequentemente levanta complexas questões éticas, religiosas e jurídicas.

Globalmente, 16 países já permitem alguma forma de morte assistida. Entre eles estão Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Espanha, Equador, França, Estados Unidos, Holanda, Itália, Luxemburgo, Nova Zelândia, Portugal, Suíça e Uruguai. Na América Latina, Colômbia, Equador e Uruguai se destacam por terem leis que autorizam algum tipo de suicídio assistido, refletindo a diversidade de abordagens legislativas e culturais sobre o tema.

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