Uma paróquia anglicana na região de Nottinghamshire, Reino Unido, teve seu pedido para adquirir um batistério de imersão rejeitado por uma autoridade eclesiástica, que considerou a prática um "desperdício desnecessário de água". A decisão, proferida pelo Chanceler da Diocese de Southwell e Nottingham em relação à Igreja St Mary's, em Radcliffe-on-Trent, coloca em evidência a tensão entre as aspirações pastorais da congregação e a crescente conscientização sobre a gestão de recursos naturais no contexto religioso.
A solicitação da Igreja St Mary's visava a instalação de um batistério portátil com capacidade para 940 litros, argumentando uma necessidade pastoral específica. A comunidade religiosa buscava atender ao desejo de convertidos adultos que expressavam a preferência por um batismo de corpo inteiro submerso, uma modalidade que, segundo os fiéis, a pia batismal existente na paróquia não permitia plenamente.
Argumentos da Diocese
Christopher Ockelton, o chanceler diocesano — autoridade responsável por questões jurídicas e administrativas eclesiásticas em uma diocese — fundamentou sua recusa na premissa de que a Igreja deveria assumir um papel de liderança na preservação do meio ambiente. Ele calculou que o uso do equipamento proposto consumiria significativamente mais água do que o método tradicional, "milhares de vezes mais", conforme expresso em sua decisão.
Além da preocupação ambiental, Ockelton questionou a base teológica para a obrigatoriedade do batismo por imersão dentro da doutrina anglicana. Em sua argumentação, afirmou que "a necessidade do batismo por imersão, alegada em Radcliffe-on-Trent, não tem base teológica", sugerindo que a forma de administração do sacramento não impacta sua validade ou significado.
Posição Oficial da Igreja da Inglaterra
Contrariamente à interpretação do chanceler, documentos litúrgicos oficiais da própria Igreja da Inglaterra, à qual a paróquia pertence, reconhecem explicitamente o batismo por imersão. A Comissão Litúrgica, em comentários sobre a liturgia batismal, destaca a "preferência rubrical anglicana tradicional" pela imersão (conhecida como "dipping") e relaciona o termo à sua raiz grega "baptizo". Tais textos também mencionam o "número crescente de batismos envolvendo imersão e até submersão", indicando a aceitação e prática dessa modalidade.
As orientações oficiais da denominação preveem que o ministro realize o batismo tanto por imersão do candidato na água quanto derramando água sobre ele. A própria Igreja da Inglaterra, ao instruir adultos interessados em se batizar, informa sobre a possibilidade da cerimônia com água derramada sobre a cabeça ou, "em igrejas que possuem uma piscina própria", com o candidato "totalmente imerso na água".
Rejeição da Necessidade Pastoral
O chanceler também rechaçou o argumento da necessidade pastoral, sustentado pela igreja local. Para Ockelton, qualquer "necessidade pastoral" nesse contexto deveria focar na educação dos fiéis de que as diversas formas de batismo não alteram seus efeitos doutrinários. Ele enfatizou que "a doutrina e a prática da Igreja não são determinadas por aqueles que estão prestes a ingressar nela", sublinhando a autoridade hierárquica na definição de práticas eclesiásticas.
A Igreja St Mary's, que conta com aproximadamente 150 membros, é parte da vasta rede da Igreja da Inglaterra, uma das maiores denominações anglicanas globais, e essa decisão local reflete debates mais amplos sobre tradição, modernidade e responsabilidade ambiental dentro de instituições religiosas.