A Igreja da Inglaterra divulgou o relatório final sobre as recomendações da Revisão Makin, um passo decisivo em sua resposta às falhas institucionais e aos casos de abuso envolvendo o falecido John Smyth. O documento detalha a aceitação da maioria das propostas para reforçar as políticas de salvaguarda e aprimorar o apoio às vítimas, um processo que envolveu o ex-Arcebispo da Cantuária, Justin Welby.
Publicada originalmente no final de 2023, a Revisão Makin investigou a forma como a Igreja lidou com as denúncias de abuso contra John Smyth. Smyth, que faleceu em 2018, é considerado responsável por décadas de abusos ocorridos tanto no Reino Unido quanto em diversas regiões da África.
Um dos pontos centrais da revisão foi a conclusão de que Justin Welby, à época Arcebispo da Cantuária e líder espiritual da Igreja da Inglaterra e da Comunhão Anglicana global, não tomou ações suficientes ao tomar conhecimento das alegações. Welby posteriormente admitiu ter “falhado pessoalmente” em garantir uma investigação energética, embora tenha contestado algumas descobertas, alegando que as denúncias contra Smyth foram comunicadas às autoridades e que a polícia aconselhou a Igreja a não prosseguir com investigações internas para não prejudicar suas próprias apurações.
Aceitação de Recomendações e Avanços Institucionais
O relatório final confirma que a Igreja da Inglaterra acolherá integralmente 24 das 27 recomendações formuladas pela Revisão Independente de Lições Aprendidas. As três restantes serão aceitas parcialmente, indicando um compromisso substancial com as mudanças propostas.
Desde a publicação da revisão, a instituição já implementou progressos significativos. Entre as medidas adotadas estão a introdução de Códigos de Prática de Salvaguarda obrigatórios, a imposição de sanções disciplinares mais rigorosas para o clero, a realização de auditorias independentes de salvaguarda, o fortalecimento das proteções para denunciantes e a clarificação dos procedimentos para reportar preocupações de salvaguarda às autoridades estatutárias.
Apesar dos avanços, o documento reconhece que outras áreas ainda demandam trabalho contínuo, especialmente na gestão da salvaguarda em contextos internacionais e na oferta de um nível mais consistente de apoio aos sobreviventes de abuso, refletindo a complexidade do desafio em escala global.
Necessidade de Mudança Cultural Profunda
Em sua introdução ao relatório, o Reverendo Robert Springett, Bispo líder de Salvaguarda para a Igreja da Inglaterra, enfatizou o caráter humano do documento. “Este relatório é, antes de tudo, sobre pessoas – todos aqueles que experimentaram abuso dentro da Igreja da Inglaterra. Escrevemos com humildade e com uma crença completa e irrestrita naqueles que se apresentaram”, afirmou. Springett reiterou a primazia da salvaguarda sobre a lealdade institucional, apelando por uma “mudança cultural profunda, sustentada e que alcance todos os níveis da Igreja, desde suas estruturas nacionais até cada paróquia”.