Moradores de Teerã, capital do Irã, foram registrados em vídeos divulgados neste sábado (28) pela diáspora iraniana nas redes sociais, celebrando publicamente supostos ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos. As ações militares, que teriam visado instalações estratégicas do regime teocrático dos aiatolás, provocaram manifestações de júbilo em diversos pontos da cidade. Esse comportamento, que evidencia uma profunda insatisfação interna com o governo, ocorreu pouco antes de um provável bloqueio governamental à internet ser imposto no país.
As imagens, que circularam amplamente na internet antes da restrição digital, exibem grupos de cidadãos em cenas de celebração, um contraste marcante com a postura oficial de qualquer nação sob ataque. A autoria dos bombardeios, que o material difundido pela diáspora atribui a forças israelenses e americanas contra alvos militares e governamentais, não foi detalhadamente confirmada pelas potências ocidentais ou pelo Irã como um ataque conjunto nessas proporções, mas a reação popular filmada sublinha a clivagem entre setores da sociedade e o regime.
A Raiz da Dissidência Interna
As celebrações observadas em Teerã são interpretadas como um indicador da persistente resistência popular ao regime da República Islâmica. Desde a Revolução de 1979, o Irã é governado por um clero conservador, e, apesar da narrativa oficial que enfatiza a unidade nacional, episódios anteriores de protestos em massa, como o Movimento Verde em 2009 e os levantes de 2022-2023 após a morte de Mahsa Amini, revelam um substrato de descontentamento que frequentemente se manifesta diante de crises externas ou falhas internas. A diáspora iraniana, atuando a partir do exterior, desempenha um papel crucial na divulgação de informações e na articulação de vozes dissidentes que são suprimidas dentro do país.
Censura Digital em Tempos de Crise
A imposição de um 'apagão virtual' ou bloqueio de internet, reportado logo após a divulgação dos vídeos das celebrações, é uma tática recorrente e bem documentada de regimes autoritários para controlar o fluxo de informações durante períodos de instabilidade. Tal medida visa impedir a organização de protestos e a disseminação de narrativas que contradigam a versão oficial dos eventos, bem como dificultar o compartilhamento de imagens que possam inspirar mais manifestações de oposição. A celeridade com que o governo iraniano reagiu digitalmente sugere a percepção de que as cenas de celebração representam uma ameaça direta à sua autoridade e à sua capacidade de controle da opinião pública.