O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) negou enfaticamente ter votado na deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Em pronunciamento, o parlamentar também desmentiu categoricamente rumores sobre sua suposta destituição da função pastoral. Ambas as controvérsias, que ganharam notoriedade em redes sociais e entre grupos ligados à bancada evangélica, foram atribuídas por ele a uma orquestração de notícias falsas.
A Controvérsia na Comissão da Mulher
A polêmica emergiu após a circulação de informações de que Otoni de Paula teria sido um dos apoiadores da eleição de Erika Hilton, a primeira parlamentar transexual a presidir um colegiado permanente na Câmara. Críticos, especialmente de setores conservadores, alegaram que esse apoio teria sido crucial para o resultado, intensificando disputas políticas internas e ideológicas. No entanto, o deputado esclareceu os fatos, detalhando a estratégia adotada pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE), grupo com forte influência no Congresso Nacional e conhecido por suas pautas conservadoras.
Estratégia da Frente Parlamentar Evangélica
Otoni de Paula explicou que a orientação inicial da FPE era de não registrar presença para impedir a formação de quórum na eleição da comissão. Caso o quórum fosse atingido, a instrução subsequente seria votar em branco. O objetivo era inviabilizar a eleição ou, no mínimo, expressar uma posição neutra.
O parlamentar relatou que, no momento da votação, estava presidindo uma sessão da Câmara, uma situação comum na dinâmica legislativa que exige dos deputados conciliar diferentes compromissos. Como a eleição na comissão era remota, ele tentou conciliar as duas atividades. Ao ser alertado por um colega sobre a necessidade de votar, Otoni de Paula afirmou ter votado em branco, conforme a orientação. Contudo, ele admitiu não ter percebido que a votação já se encontrava em segundo turno, fase em que a estratégia do grupo era, de fato, abster-se para evitar o quórum. Ele ressaltou que, por ser suplente na comissão, seu voto não foi computado. Todavia, a sua presença, juntamente com a de outro deputado, acabou por contribuir para o quórum necessário, invalidando a estratégia da FPE.
Desmentido sobre a Função Pastoral
Paralelamente à controvérsia política, circularam informações de que Otoni de Paula teria sido destituído de sua função pastoral. O deputado negou veementemente essa alegação, classificando-a como outra “irresponsável fake news”. Ele reiterou que é pastor há três décadas, preside um ministério, é membro da Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira e está em plena comunhão com sua igreja.
Contexto Político e Repercussão das Acusações
Otoni de Paula lamentou o "prejuízo de imagem" provocado pelos boatos, mas reconheceu que episódios de ataques e desinformação são inerentes à vida pública. Ele atribuiu a disseminação dessas "falsas notícias" a setores da igreja que discordam de seu mandato e de suas críticas à polarização que, segundo ele, tem dividido o corpo eclesiástico. A eleição para presidências de comissões permanentes na Câmara é um processo que reflete acordos políticos e a proporcionalidade das bancadas, e a escolha de Erika Hilton para liderar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher mobilizou diferentes grupos, gerando um amplo debate sobre representatividade e pautas de gênero no cenário político brasileiro.