A pastora Carine Carvalho, que havia sido gravemente ferida por disparos de arma de fogo em um incidente na cidade de Salvador, Bahia, em julho do ano passado, veio a óbito na manhã da última terça-feira, 6 de fevereiro. A líder religiosa não resistiu às complicações decorrentes das infecções contraídas durante o longo período de tratamento hospitalar, que se estendeu por vários meses.
A confirmação do falecimento foi divulgada pela Igreja Batista Casa de Oração, onde Carine exercia seu ministério. Segundo informações reportadas pela TV Bahia, as infecções agravaram seu estado de saúde, levando ao desfecho fatal por volta das 6h. Manoel Carvalho, esposo da pastora, expressou gratidão pelas orações e destacou o legado de sua companheira: "Ela deixou um legado. Foram seis meses de luta, todo mundo orando. A gente lutou", afirmou.
O velório e o subsequente sepultamento da pastora Carine Carvalho ocorreram na quarta-feira, 7 de fevereiro, no Cemitério Bosque da Paz, situado no bairro de Nova Brasília, também em Salvador.
O Ataque e a Batalha pela Recuperação
O episódio que culminou na morte da pastora Carine ocorreu em 5 de julho de 2023. Ela foi alvejada dentro de seu veículo enquanto retornava de um culto, após deixar um conhecido no bairro da Engomadeira. Segundo relatos, ao entrar na localidade, o marido de Carine, Manoel, deparou-se com homens armados. Ao se identificar como líderes cristãos e mostrar uma Bíblia, foi-lhes permitida a passagem. No entanto, ao tentar sair da área, o carro foi alvo de disparos. Carine foi atingida por um tiro que entrou pela nuca e saiu pela testa. Os filhos do casal, que também estavam no veículo, felizmente saíram ilesos.
Na época do incidente, a região da Engomadeira era palco de intensa disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas. Carine foi levada em estado grave para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), onde passou por uma delicada cirurgia de quatro horas e permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por um período prolongado. A comunidade religiosa, por meio da igreja, iniciou uma ampla campanha de orações por sua recuperação.
Em dezembro do ano passado, após cinco meses de internação, a pastora recebeu alta hospitalar, demonstrando sinais de melhora. Recentemente, familiares haviam solicitado doações para auxiliar em sua recuperação contínua e mantinham o pedido por mais orações. Contudo, apesar de todos os esforços e da mobilização, Carine Carvalho não conseguiu superar as graves sequelas e infecções.
Repercussão e Clamor por Segurança Pública
Nas redes sociais, além da mensagem da igreja que citou a passagem bíblica de 2 Timóteo 4:7-8 ("Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé…"), diversas manifestações de pesar e apoio à família foram registradas. Fiéis e colegas de ministério lamentaram a perda, ressaltando o "legado de humildade, graça e amor" deixado pela pastora.
A morte de Carine Carvalho também reacendeu o debate sobre a segurança pública na capital baiana. Uma pastora, em uma de suas mensagens, categorizou o falecimento não como uma fatalidade isolada, mas como "o resultado anunciado do aumento da criminalidade e do abandono da segurança pública". Ela enfatizou que "vidas estão sendo ceifadas enquanto o medo toma as ruas", questionando o direito fundamental de ir e vir dos cidadãos. A manifestação ressalta que "o silêncio diante dessa violência também mata" e clama por "responsabilidade, ação e mudança" para que a violência não seja normalizada.