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Molécula Brasileira Promete Recuperação Pós-Lesão Medular

Tatiana de Sampaio. (Foto: Reprodução/YouTube/TV 247).

Uma pesquisa inovadora liderada pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, desenvolvida ao longo de mais de duas décadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou a polilaminina, uma molécula sintética com potencial revolucionário para a regeneração de lesões na medula espinhal. A descoberta, que tem sido informalmente referida pela pesquisadora como a 'proteína de Deus' devido aos seus efeitos surpreendentes, visa restaurar os movimentos em pacientes com paraplegia e tetraplegia causadas por traumas.

A polilaminina é uma substância sintética criada em laboratório a partir da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano, crucial durante o desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. Sua função principal é estimular a reconexão de fibras nervosas rompidas, um processo fundamental para a recuperação da funcionalidade em regiões afetadas por traumas medulares.

Os resultados preliminares do estudo experimental são encorajadores. Em um grupo de oito pacientes diagnosticados com lesão medular grave e prognóstico de não recuperação de movimentos, seis apresentaram recuperação parcial e um conseguiu voltar a andar. A eficácia do tratamento, conforme observado, é maximizada quando a aplicação da polilaminina ocorre dentro de um período crítico de 72 horas após a lesão, conhecido como janela terapêutica.

Primeiro Caso no Brasil e Desafios

O Brasil registrou o primeiro paciente a receber o tratamento experimental: o militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos. Após ficar tetraplégico devido a um acidente com arma de fogo, Nunez teve acesso ao medicamento por meio de uma decisão judicial. Doze dias após a administração da proteína no Hospital Militar de Campo Grande, o jovem demonstrou sinais de recuperação, conseguindo movimentar a ponta de um dos dedos da mão.

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio ressalta que a aplicação do tratamento fora da janela terapêutica de 72 horas pode não garantir os mesmos resultados. 'Quando uma lesão é crônica, com mais de três, quatro meses, a dificuldade de regeneração é maior por conta de todo o processo patológico', explica a cientista, sublinhando a complexidade de casos mais antigos. Atualmente, a polilaminina continua em fase experimental e passa por rigorosos estudos clínicos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para eventual aprovação e disponibilização.

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