Autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos abriram uma investigação sobre um incidente de tráfego aéreo ocorrido em 4 de agosto, que colocou o helicóptero presidencial Marine One, transportando o então presidente Donald Trump, em curta distância de um avião Embraer operado pela Envoy Air. A ocorrência, que não resultou em feridos ou danos, foi atribuída a problemas de comunicação entre a aeronave presidencial e o controle de tráfego aéreo. O episódio foi formalmente comunicado ao Brasil, devido ao envolvimento da aeronave fabricada pela Embraer.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), agência norte-americana responsável pela apuração de acidentes e incidentes de transporte, informou que as duas aeronaves chegaram a operar a aproximadamente três quilômetros de distância uma da outra. A notificação sobre a investigação foi encaminhada ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira, dada a participação do voo 3742 da Envoy Air, que utilizava um equipamento brasileiro.
Falha de Comunicação em Área Presidencial
A apuração do NTSB revelou que o Marine One – nome de chamada atribuído a qualquer helicóptero do Corpo de Fuzileiros Navais que transporte o presidente dos EUA – tentou estabelecer contato com a torre de controle do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington (DCA) em duas ocasiões. No entanto, as tentativas foram infrutíferas: gravações de áudio certificadas do Controle de Tráfego Aéreo (ATC) indicaram que a primeira chamada não foi recebida e a segunda se mostrou completamente ininteligível.
Subsequentemente, as investigações descartaram falhas no equipamento de controle de tráfego aéreo. A frequência utilizada pelo ATC funcionava normalmente no dia do incidente, e a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA não possuía registros de problemas ou degradação de sinal relacionados àquela frequência específica. Isso direcionou a busca pela causa-raiz para outros fatores.
Causa Identificada: Ponto de Operação Temporário
A análise técnica da Engenharia de Espectro da FAA, realizada após as falhas de transmissão, apontou para uma questão de visibilidade de sinal. Constatou-se a falta de uma linha de visada adequada entre o equipamento de rádio responsável pela comunicação e a área conhecida como "The Ellipse". Este local era utilizado temporariamente pelo Marine One devido a obras em curso na Casa Branca. Essa condição de operação provisória foi identificada como o fator principal que comprometeu a comunicação entre o helicóptero presidencial e a torre de controle, criando um risco potencial para a segurança aérea.