O Rev. Dr. Bernard Randall, um clérigo da Igreja da Inglaterra, obteve um acordo legal confidencial e teve a proibição de oficiar em serviços religiosos revertida, marcando o fim de uma prolongada batalha judicial de sete anos. Randall foi afastado de suas funções em 2019 após proferir um sermão na capela do Trent College, uma escola independente afiliada à Igreja Anglicana, no qual abordou a questão da identidade de gênero, gerando acusações de conduta imprópria e preocupações de salvaguarda.
O incidente central ocorreu quando o Dr. Randall, então capelão escolar, respondeu a uma questão de um aluno sobre a exigência de aceitar ensinamentos de identidade de gênero em uma instituição cristã. Em seu sermão, ele enfatizou a importância do respeito mútuo, do debate fundamentado e do amor ao próximo, mesmo em face de discordâncias ideológicas, afirmando que ninguém deveria ser forçado a aceitar uma ideologia. Esta pregação, segundo Randall, estava em consonância com a doutrina oficial da Igreja da Inglaterra. Contudo, a escola o suspendeu e, posteriormente, o demitiu por má conduta grave.
Após a demissão, o caso de Randall foi encaminhado a diversas agências governamentais e de proteção, incluindo o programa de prevenção ao terrorismo 'Prevent', o oficial designado para salvaguarda (LADO), a Agência de Regulamentação de Ensino (TRA) e o Serviço de Divulgação e Barragem (DBS). Apesar de ter apelado com sucesso de sua demissão na escola, que foi anulada, ele acabou sendo tornado redundante após recusar uma redução significativa em sua carga horária. Mais notavelmente, todas as entidades estatutárias concluíram que não havia fundamentos para as acusações, mas a Igreja da Inglaterra manteve uma posição distinta, considerando-o um 'risco de salvaguarda para crianças'.
A disputa com a Igreja intensificou-se quando a então Bispa de Derby, Libby Lane, impediu Randall de oficiar a menos que ele se submetesse a uma avaliação de salvaguarda independente, o que ele recusou por considerar uma admissão tácita de culpa. Mesmo com a ausência de preocupações pelas agências civis, a Igreja não o reintegrou. Uma queixa subsequente contra a Bispa Lane foi recusada pelo então Arcebispo da Cantuária, Justin Welby, uma decisão que foi criticada como 'claramente errada' por Gregory Jones KC, um oficial legal sênior da Igreja para disciplina do clero. Posteriormente, a Presidente dos Tribunais da Igreja da Inglaterra, Dame Sarah Asplin, reverteu efetivamente a decisão de Welby, concluindo que não havia caso a ser respondido por Randall, mas apontando falhas processuais.
A resolução final veio após uma revisão completa realizada por um investigador independente para a Diocese de Londres. Este processo resultou na anulação substancial da posição de salvaguarda da Igreja da Inglaterra em relação ao Dr. Randall. O revisor concluiu que, 'no balanço das probabilidades, não foi possível estabelecer que houve dano causado pela entrega dos sermões', e que 'não há preocupações contínuas de salvaguarda' relativas ao reverendo. Randall, que já completou todo o treinamento obrigatório de salvaguarda, agora está elegível para solicitar permissão para oficiar na Igreja da Inglaterra. Paralelamente, um acordo confidencial com o Trent College encerrou a longa batalha legal referente ao seu emprego.
Em seus comentários sobre o desfecho, Dr. Randall expressou alívio, mas também lamentou os sete anos perdidos 'por cumprir meu dever como capelão da Igreja da Inglaterra em uma escola com ethos da Igreja da Inglaterra'. Ele afirmou que o caso 'revelou a extensão da corrupção dentro da Igreja, de nossas escolas e do judiciário', e manifestou o desejo de retomar sua vida e sua paixão por 'servir a Jesus e à sua Igreja'.