A Igreja da Inglaterra demonstrou avanços consideráveis na consolidação de sua cultura de salvaguarda, conforme revela um novo relatório da auditoria independente INEQE. O estudo, que abrangeu o primeiro ano de verificações em dez dioceses e nove catedrais, conclui que a proteção de indivíduos vulneráveis está se tornando mais profundamente integrada na vida da instituição, embora ressalte a necessidade urgente de padronizar as práticas em nível nacional e endereçar inconsistências.
Historicamente, instituições religiosas têm enfrentado escrutínio significativo sobre a eficácia de seus sistemas de proteção. Neste contexto, o relatório da INEQE, baseado em entrevistas, pesquisas e revisão documental com milhares de clérigos, funcionários, voluntários, fiéis e sobreviventes, aponta que a salvaguarda é cada vez mais tratada como uma responsabilidade central, e não meramente como um requisito de conformidade.
Progressos Notáveis e Boas Práticas
Entre os sinais encorajadores identificados, auditores observaram que muitos membros das comunidades eclesiásticas se sentem seguros e percebem uma melhora nos últimos anos. Lideranças fortes, equipes diocesanas dedicadas à salvaguarda e uma colaboração mais estreita com agências estatais foram apontadas como fatores cruciais para este progresso. O documento destaca ainda exemplos de boas práticas, como governança aprimorada, gestão de riscos mais robusta e um foco crescente na escuta ativa de vítimas e sobreviventes. Profissionais de salvaguarda em diversas localidades foram elogiados por seu empenho e expertise no apoio a pessoas em situação de risco.
Desafios Persistentes e Recomendações Críticas
Apesar dos avanços, a INEQE alerta que o progresso tem sido desigual. A qualidade dos arranjos de salvaguarda varia entre dioceses e catedrais, com disparidades em liderança, recursos e capacidade que afetam a consistência das práticas. Algumas equipes operam sob pressão considerável, e ainda persistem fragilidades em áreas como partilha de informações, manutenção de registos e resposta a preocupações. A experiência de vítimas e sobreviventes também permanece mista; enquanto muitos relataram ter recebido apoio adequado, outros descreveram sentir-se ignorados ou desamparados pelos processos internos da Igreja.
Jim Gamble, auditor principal, enfatizou a importância de a Igreja não cair na complacência e exigiu um "prazo firme para superar a ambiguidade atual" em torno das estruturas de salvaguarda. O relatório faz recomendações-chave, incluindo governança mais robusta e maior independência operacional para as equipes de salvaguarda, sem prejuízo da prestação de contas dentro das estruturas eclesiásticas. Serviços de salvaguarda profissionalmente liderados, apoiados por supervisão independente, são considerados essenciais para sustentar o progresso recente.
Inibidores do Progresso
O relatório também identificou um "pequeno grupo de oficiais seniores influentes em nível diocesano e certos indivíduos dentro da Igreja nacional" como os principais obstáculos ao avanço. "Seu impacto é desproporcionalmente significativo e isso deve ser abordado", afirmou o documento. Contudo, os auditores reforçaram a confiança na direção geral dos esforços, considerando esses inibidores "reais, mas não intransponíveis", e superados pelo "compromisso, profissionalismo e franqueza" observados.
Reação da Liderança Eclesiástica
Em resposta às conclusões, o Bispo Robert Springett, Bispo Líder de Salvaguarda da Igreja da Inglaterra, saudou a auditoria externa. "O escrutínio externo é vital e dou as boas-vindas a este relatório e suas descobertas", declarou. Ele reconheceu tanto os progressos alcançados quanto as áreas que demandam melhorias contínuas. O Bispo Springett reiterou a importância do envolvimento com vítimas e sobreviventes, destacando o valor de suas experiências para aprimorar a qualidade e consistência das respostas e do cuidado oferecido, visando construir uma Igreja mais segura para todos.