Um ataque armado de proporções devastadoras abalou a pacata comunidade de Tumbler Ridge, na Colúmbia Britânica, Canadá, na última terça-feira, resultando na morte de dez pessoas e deixando dezenas de feridos. A tragédia teve início numa residência, onde a atiradora assassinou sua mãe e seu irmão, antes de se dirigir à Tumbler Ridge Secondary School, onde outras oito vítimas foram mortas. Este incidente marca o mais letal tiroteio já registrado em uma instituição de ensino no país, e a perpetradora, identificada como Jesse Van Rootselaar, de 18 anos e mulher trans, foi encontrada morta no local com um ferimento autoinfligido.
Entre as vítimas fatais na escola, cinco eram adolescentes com idades entre 12 e 13 anos. Na residência próxima, a mãe da atiradora, de 39 anos, e seu irmão, de 11, foram encontrados sem vida. Além dos óbitos, o ataque causou múltiplos ferimentos: pelo menos duas pessoas foram hospitalizadas em estado grave ou com risco de vida, enquanto outras 25 sofreram lesões que não foram consideradas fatais. A polícia federal canadense confirmou a identidade da atiradora, que era moradora de Tumbler Ridge e havia abandonado os estudos há cerca de quatro anos.
Resposta Imediata e Luto na Comunidade
O tiroteio desencadeou uma ordem de confinamento em toda a cidade de Tumbler Ridge, que se estendeu por várias horas, paralisando a localidade. Alunos e professores viveram momentos de terror, barricando portas de salas de aula e oficinas com bancos de metal para se proteger enquanto a polícia evacuava o prédio. Um professor relatou que sua turma foi escoltada para um local seguro mais de duas horas após o início do confinamento, com os estudantes visivelmente abalados.
Às 18h47, horário local, a ordem de confinamento foi suspensa, e os alunos foram finalmente liberados para suas famílias em um centro recreativo próximo. Em decorrência do trauma, todas as escolas primárias e secundárias da cidade, juntamente com uma faculdade local, permanecerão fechadas pelo restante da semana. O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, expressou profunda consternação, confirmando que psicólogos especializados em trauma seriam enviados para oferecer apoio à comunidade enlutada. As autoridades federais também se manifestaram, com o governo canadense declarando-se 'devastado' pelos eventos e estendendo condolências às famílias das vítimas.
Precedentes e Controle de Armas no Canadá
Embora seja o massacre mais letal em uma escola canadense, este trágico evento é o terceiro tiroteio em massa mais mortal na história geral do Canadá. Ele sucede um ataque ocorrido na Nova Escócia em 2020, que ceifou a vida de 23 pessoas, e o tiroteio na Escola Politécnica de Montreal em 1989, que resultou na morte de 14 mulheres. Esses incidentes impulsionaram rigorosas medidas de controle de armas no país.
Após o massacre de 2020, o governo federal canadense introduziu uma proibição de 1.500 tipos de armas de estilo militar e, posteriormente, implementou um congelamento na venda de pistolas. Adicionalmente, foi lançado um programa nacional de recompra de fuzis de estilo militar. Contudo, essa iniciativa gerou resistência por parte de caçadores, agricultores e comunidades rurais, com diversas agências de segurança e funcionários postais recusando-se a participar devido a preocupações logísticas e de segurança. Dados da polícia indicam que existem aproximadamente 1,3 milhão de armas de fogo registradas no Canadá, e a maioria das armas utilizadas em crimes urbanos tem origem interna no país.