A administração Trump anunciou a alocação de aproximadamente US$ 2 bilhões para organizações religiosas e comunitárias com atuação em saúde global e assistência humanitária internacional. Este montante, revelado pelo Departamento de Estado dos EUA, representa o maior volume de fundos direcionado a essa finalidade em mais de duas décadas, com o objetivo de fortalecer programas de saúde e resposta a desastres em dezenas de países, priorizando parcerias com entidades de base religiosa.
Estratégia e Principais Beneficiários
O financiamento, detalhado no início do mês do anúncio, contempla grupos humanitários cristãos de renome como World Vision, Compassion International e Samaritan’s Purse entre os principais beneficiários. Conforme reportado pela Devex, os recursos serão segmentados em subsídios diretos para a área da saúde, acordos entre governos e alocações específicas para mitigação de desastres.
Uma parcela substancial, cerca de US$ 1,4 bilhão, será canalizada através da 'America First Global Health Strategy' – uma iniciativa que, durante o governo Trump, buscou alinhar a ajuda externa com os interesses estratégicos dos EUA, muitas vezes priorizando parceiros que pudessem otimizar o impacto. Esses fundos serão direcionados para hospitais e clínicas administrados por grupos religiosos e comunitários em mais de 20 nações.
No âmbito da 'Faith and Community Initiative', a World Vision, em colaboração com parceiros locais, poderá receber até US$ 850 milhões ao longo de cinco anos. Este programa visa a modernização de mais de 2.500 instalações de saúde e centros comunitários em 17 países, além de financiar, capacitar e prover suprimentos para mais de 30.000 profissionais de saúde nas comunidades.
Apoio à Resposta a Desastres Internacionais
Para a resposta a desastres, o Departamento de Estado destinará US$ 538 milhões. A Samaritan’s Purse e um consórcio co-liderado pela World Vision e Compassion International são os principais receptores, com o intuito de atender 7 milhões de pessoas em 16 situações de emergência. Mais de US$ 100 milhões estarão imediatamente disponíveis, enquanto o restante será aplicado em ações de preparação em 23 países com alta incidência de desastres naturais.
Essas organizações possuem um histórico extenso de atuação em crises humanitárias globais. A Samaritan’s Purse, por exemplo, estabeleceu um hospital de campanha na Venezuela em junho, após terremotos na região, e opera em mais de 100 países. A World Vision, no ano anterior ao anúncio, respondeu a 104 desastres, alcançando 35,6 milhões de indivíduos, e recebeu US$ 238 milhões adicionais do Escritório de Resposta a Desastres e Ajuda Humanitária para prover alimentos, água e abrigo em mais de 30 nações.
Contexto e Priorização da Ajuda
Este substancial investimento surge em um período que sucedeu cortes significativos na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a principal agência governamental responsável pela ajuda externa não-militar. Em diversas nações beneficiárias da assistência norte-americana, entidades de base religiosa administram 40% ou mais das infraestruturas de saúde primária. O departamento frisou que esses grupos direcionarão, no mínimo, 80% dos recursos para o atendimento direto ao paciente, um percentual significativamente superior aos 35% a 40% tipicamente observados em concessões anteriores, o que indica uma priorização da entrega de serviços diretos.