Bruxelas, Bélgica – Uma conferência recente no Parlamento Europeu, organizada pela ADF International – uma organização jurídica de defesa da liberdade religiosa – destacou o preocupante aumento da perseguição contra comunidades cristãs na Índia, no Paquistão e em outras nações do Sul da Ásia. O evento, realizado em 4 de dezembro, reuniu defensores dos direitos humanos e sobreviventes, que compartilharam testemunhos impactantes sobre a crescente violência e discriminação, apelando por uma intervenção decisiva da União Europeia.
A situação na Índia foi descrita por Tehmina Arora, diretora de Advocacia para a Ásia da ADF International, como um cenário de crescente perseguição impulsionada por tendências nacionalistas hindus. Arora ressaltou que cristãos são frequentemente penalizados não por infrações, mas por práticas religiosas básicas como reunir-se para orar ou prestar assistência a vizinhos. Ela mencionou que até a Suprema Corte indiana tem observado o uso indevido de leis anti-conversão, frequentemente aplicadas para processar injustamente membros da comunidade cristã. Essas leis, embora aleguem prevenir conversões forçadas, são criticadas por defensores dos direitos humanos por sua aplicação discriminatória, visando predominantemente minorias religiosas e restringindo a liberdade de crença. O United Christians Forum reportou um aumento de 500% na perseguição na Índia na última década, com mais de 600 casos de violência — incluindo linchamentos, humilhações públicas e ataques a igrejas e propriedades privadas — registrados apenas nos primeiros dez meses de 2024.
No Paquistão, o foco da discussão recaiu sobre a utilização crescente das controversas leis de blasfêmia para perseguir seguidores do cristianismo. Essas leis, notórias por sua severidade e caráter ambíguo, preveem penas que podem ir até a morte e são frequentemente usadas como ferramentas para silenciar minorias e resolver disputas pessoais, conforme denunciado por organizações de direitos humanos. A Human Rights Watch registrou 475 casos de blasfêmia em 2024, um aumento drástico em comparação com os 11 incidentes reportados em 2020. Shagufta Kausar, uma sobrevivente paquistanesa presente na conferência, narrou sua experiência angustiante: ela e seu marido, Shafqat, foram falsamente acusados de blasfêmia, abusados publicamente na frente dos filhos e condenados à morte. Após sete anos no corredor da morte, foram libertados graças, em parte, à pressão da União Europeia. Kausar fez um apelo veemente para que o Parlamento Europeu continue a intervir em nome dos cristãos paquistaneses, afirmando que “a menos que a comunidade internacional aja, inúmeras pessoas inocentes continuarão sofrendo sob leis usadas para silenciar e destruir os mais vulneráveis.”
Além de Índia e Paquistão, a conferência também abordou a escalada da vigilância e da violência contra cristãos em outros países do Sul da Ásia, como Sri Lanka, Nepal e Bangladesh. Os participantes exortaram a União Europeia a empregar seus recursos para promover a liberdade religiosa na região. Um dos deputados europeus presentes enfatizou a importância da pressão política do Parlamento, mas também destacou que a UE dispõe de “poderosas ferramentas econômicas” para persuadir governos a assegurar a liberdade religiosa e conter a perseguição. A conclusão unânime foi que os cristãos representam hoje o grupo religioso mais perseguido globalmente, e é imperativo que esta questão seja abordada “pública e veementemente” no cenário internacional.
Fonte: https://guiame.com.br