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Vaticano Recusa Adesão a Conselho de Paz para Gaza

 (Photo: Getty/iStock)

A Santa Sé anunciou que não integrará o “Conselho de Paz”, uma iniciativa internacional proposta pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de coordenar esforços para a reconstrução da Faixa de Gaza. A decisão, revelada em meio a preocupações sobre a composição do conselho e a devastadora situação humanitária em Gaza, reflete a preferência do Vaticano pela liderança da Organização das Nações Unidas (ONU) na gestão de crises internacionais, conforme expressou o Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.

Natureza e Controvérsias do Conselho de Paz

O “Conselho de Paz” foi concebido para catalisar o apoio internacional à região palestina, gravemente afetada pelo conflito com Israel. Recentemente, foi divulgado que vários países membros se comprometeram a destinar mais de sete bilhões de dólares para iniciativas de socorro e reconstrução em Gaza. Contudo, a credibilidade do conselho tem sido questionada por diversas entidades, incluindo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), que levantou objeções à inclusão dos Emirados Árabes Unidos (EAU).

A CSW acusa os EAU de cumplicidade na promoção da guerra civil em curso no Sudão, supostamente fornecendo apoio às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar envolvido em denúncias de atrocidades contra civis. Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, negam veementemente tais alegações de assistência à RSF.

A Posição do Vaticano e sua Tradição Diplomática

A recusa do Vaticano, apesar de sua longa e consolidada história de esforços diplomáticos e de pacificação global, foi justificada pelo Cardeal Parolin. Em declarações prestadas durante um encontro com o governo italiano, ele afirmou que a Santa Sé não participará "devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a de outros Estados", e reiterou que a ONU deveria assumir a vanguarda na gestão de crises como a de Gaza.

Parolin, ele próprio um mediador experiente, tem desempenhado um papel ativo na facilitação de trocas de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia, e chegou a oferecer-se para mediar conversações de paz entre os dois países. Na mesma ocasião em que abordou o conselho para Gaza, o Secretário de Estado do Vaticano apresentou uma análise sombria sobre o conflito ucraniano.

“Em relação à Ucrânia, há um pessimismo considerável. De ambos os lados, não nos parece que existam avanços reais no que diz respeito à paz, e é trágico que, após quatro anos, ainda nos encontremos neste ponto”, lamentou Parolin. Ele expressou pouca esperança em relação a progressos iminentes nos diálogos, sublinhando a complexidade e a estagnação das negociações de paz em diferentes frentes globais.

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