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Sínodo Anglicano Acende Alerta para Antissemitismo

Staff writer

A recente decisão do Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra de "ouvir" um controverso documento pró-Palestina, conhecido como Kairos II, gerou um intenso debate e fortes críticas de diversas lideranças religiosas, incluindo o Bispo de Blackburn, Philip North, e o Rabino Chefe Sir Ephraim Mirvis. A medida, aprovada apesar de uma moção inicial ter sido alterada de "receber" para "ouvir" o documento, é vista por muitos como um passo imprudente que poderá exacerbar o crescente antissemitismo no Reino Unido e prejudicar as relações inter-religiosas.

Preocupações com a Ascensão do Antissemitismo

O Bispo Philip North expressou profundas preocupações em uma entrevista, descrevendo a votação como "profundamente imprudente". Ele destacou o medo existencial sentido pelos judeus em sua diocese de Lancashire, afirmando que a decisão do Sínodo contribuirá para a "maré crescente de antissemitismo" no país. North alertou que, embora a distinção legal entre "ouvir" (reconhecer o engajamento sem concordância plena) e "receber" (aceitar o conteúdo) possa parecer sutil dentro do Sínodo, ela será completamente perdida nas ruas e comunidades, onde a complexidade do conflito Israel-Palestina é vivenciada de forma intensa e visceral.

Similarmente, o Rabino Chefe Sir Ephraim Mirvis classificou a decisão da Igreja Anglicana de se engajar com o Kairos II como "vergonhosa". Ele descreveu o documento como "cheio de falsidades", que "rejeita abertamente o diálogo, utiliza retórica extrema para desafiar a própria existência de Israel e se opõe a acordos de paz existentes na região". Para Mirvis, o Kairos II funciona como uma "barreira hedionda" para a compreensão, reduzindo um dos conflitos mais complexos do mundo a uma "narrativa única e distorcida".

Análise das Críticas ao Kairos II

O documento Kairos II, que é uma continuação do "Kairos Palestina" de 2009, tem sido alvo de intensas críticas por sua linguagem e por alegações que são consideradas inflamatórias e antissemitas por diversas comunidades judaicas e cristãs. Ele é acusado de caracterizar Israel como um estado colonial e de apartheid, e de equiparar suas ações em Gaza a "genocídio". Críticos, incluindo vários oradores no Sínodo, apontam que o documento atende à definição de antissemitismo adotada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), uma referência amplamente utilizada.

A Board of Deputies of British Jews havia alertado antes da votação que a aprovação da moção teria "consequências prejudiciais imediatas para os judeus britânicos e danos potencialmente duradouros às relações judaico-cristãs". Eles reiteraram que os documentos Kairos disseminam uma "narrativa tóxica sobre os judeus", num momento em que a retórica, a incitação e a violência antissemita aumentaram significativamente no Reino Unido após os ataques de 7 de outubro de 2023 em Israel e a subsequente guerra multifrontal na região.

Declaração de Rejeição Cristã

Em resposta à decisão do Sínodo, uma coalizão de líderes e teólogos cristãos lançou uma "Declaração Contra o Kairos II". A declaração descreve o documento como contendo "retórica imprecisa, unilateral e perigosa". Os signatários afirmam que o Kairos II falha em reconhecer as causas profundas da dor na região, além de parecer racionalizar os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 e acusar falsamente Israel de genocídio em sua campanha contra o Hamas para resgatar reféns e desmantelar as capacidades terroristas.

A polarização gerada pela discussão do Kairos II é vista como um obstáculo significativo para o engajamento inter-religioso, que o Bispo North considera "significativamente mais difícil" após esta votação. A Igreja da Inglaterra, ao tentar se posicionar sobre um conflito de tamanha complexidade, encontra-se agora no centro de uma controvérsia que destaca as tensões entre o ativismo político e a manutenção de relações pacíficas entre diferentes comunidades de fé no Reino Unido e globalmente.

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