A Igreja Metodista Global (IMG), uma vertente conservadora do metodismo, anunciou um crescimento expressivo de 54% em suas congregações nos últimos dois anos. Os dados foram revelados durante a Conferência Geral de 2026, realizada em Joanesburgo, África do Sul, e destacam a rápida expansão da denominação desde sua fundação em 2022, que ocorreu após uma separação da Igreja Metodista Unida (IMU) motivada por profundas divergências sobre a doutrina pró-LGBT e teologias liberais.
Desde a sua criação, a IMG observou um aumento substancial no número de suas congregações, saltando de aproximadamente 4.700 em 2024 para 7.250 atualmente. Similarmente, suas estruturas regionais, conhecidas como confederações, cresceram de 34 para 50 no mesmo período. Essa expansão notável tem se concentrado principalmente na África, Américas e Ásia, consolidando a presença global da denominação.
Conferência Geral e a Ascensão do Metodismo Conservador no Sul Global
A Conferência Geral de 2026, que reuniu mais de 1.100 bispos, delegados e líderes de 50 confederações globais entre 30 de agosto e 5 de setembro, foi palco de decisões cruciais para a Igreja Metodista Global. Entre os pontos da pauta, destacam-se a votação de mais de 451 petições, a aprovação formal dos Artigos de Fé da denominação, a consagração de novos bispos em tempo integral e a assinatura de uma parceria estratégica com a Igreja Metodista Coreana. Observadores apontam para uma notável mudança geográfica no centro do metodismo conservador, que se desloca progressivamente para o 'Sul Global' – termo que engloba países em desenvolvimento na África, Ásia e América Latina – onde a denominação registra suas maiores taxas de adesão.
O Declínio da Igreja Metodista Unida Após Desligamentos
Em contrapartida ao crescimento da Metodista Global, a Igreja Metodista Unida (IMU) tem vivenciado um declínio acentuado em sua base de membros e congregações. Estatísticas indicam que mais de 1,5 milhão de fiéis se desligaram da IMU em todo o mundo desde 2019, e cerca de 7.600 congregações deixaram a denominação entre 2022 e 2023, o que representa aproximadamente um quarto de todas as suas igrejas nos Estados Unidos. Essa perda substancial é amplamente atribuída às persistentes divergências internas em torno de questões relacionadas à identidade e sexualidade LGBT.
Por décadas, a IMU debateu intensamente a sua postura oficial, conforme detalhado no Livro da Disciplina – o compêndio de leis e doutrinas da igreja. Tradicionalmente, o documento classificava a homossexualidade como pecado, proibia a ordenação de pastores homossexuais não celibatários e vetava a celebração de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Esforços para reformar essas diretrizes foram frequentemente apresentados nas Conferências Gerais, mas eram consistentemente barrados, em grande parte, pela oposição de delegados mais conservadores, especialmente os provenientes da África e de outras regiões. Contudo, em 2024, a IMU nos EUA revisou suas normas, removendo o adultério, o sexo pré-marital e a homossexualidade da lista de proibições para líderes e pastores, consolidando uma mudança teológica que precipitou o cisma e a consequente migração de membros para a Igreja Metodista Global.